psique e suas nuances

psique e suas nuances

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Gravidez na Adolescencia

Gravidez na Adolescência

“Crise significa um período temporário de desorganização, precipitado por mudanças internas ou externas. Pode-se afirmar que tanto a adolescência quanto a gravidez são uma crise. A primeira necessária e imprescindível para o crescimento do indivíduo enquanto ser humano; já a segunda, é uma opção, pode-se escolher o momento de viver a gravidez.”

A adolescência caracteriza-se por grandes questões, como: a busca por uma identidade que possibilite a passagem da fase infantil para a adulta, a explosão de novas sensações corporais, a afirmação da escolha sexual, o ingresso da vida profissional, a problemática da dependência dos pais… Acrescer a estas questões um grande mudança de identidade, uma transição existencial como é a gravidez, torna a situação bastante complexa.

O envolvimento de pais e amigos é inevitável. A gravidez na adolescência abrange uma rede de relações e preceitos sociais, portanto, é uma crise sistêmica.

Mas como comportaram-se os atores deste cenário?

A Sociedade

Apesar da sociedade ter criado tantos meios de informação sobre sexo, é elevado o número de adolescentes que engravidam. A maioria dos pais preferem educar seus filhos sobre a sexualidade como foram educados, com repressão e silêncio. Acreditam que se falarem abertamente sobre o assunto, podem despertar o adolescente precocemente para a vida sexual.

Atualmente, a gravidez na adolescência não é mais sinônimo de tragédia, mas de muitos problemas. As famílias e os adolescentes convivem neste momento com os “fantasmas” do aborto e do casamento, carregados de todos os valores sociais que os cercam. Implicações financeiras e morais, desejos frustados com relação aos filhos, novas responsabilidades… Tudo ao mesmo tempo!

O Jovem

Tanto para moça como para o rapaz, a gravidez precoce é um acontecimento desestabilizador. Assumir a maternidade e a paternidade implica em condições emocionais, físicas e econômicas, para as quais eles não estão preparados. É angustiante a perspectiva de que suas vidas serão modificadas por completo.

Na gravidez, a mulher tem a oportunidade de repensar a própria infância e estriar um novo papel existencial. Para uma adolescente em processo torna-se confuso, pois ela ainda transita na infância e não tem uma identidade elaborada. A dependência da relação com à mãe ainda é muito forte, não permitindo que ela mesma encarne essa função com tranqüilidade e discernimento.

Apoio e responsabilidade

A maneira mais saudável para orientar a vida sexual dos adolescentes seria que os pais tivessem liberdade consigo próprios para poder informar e ouvir os filhos, e que desde cedo educassem a criança para responsabilizar-se por suas ações.

É importante que a família apoie, analise a situação e pense junto o que fazer diante da gravidez precoce. Que sejam estabelecidos os limites e responsabilidades de cada um, para possibilitar uma situação com menos conflitos e mais aprendizado.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pânico



Instinto na Idade de Razão
Os animais possuem uma variedade de respostas de orientação e defesa que lhes permitem responder automaticamente diante de situações potencialmente perigosas diferentes, de forma rápida e fluida. As sensações que envolvem fuga são profundamente diferentes daquelas de congelamento ou colapso.
Estou de acordo com Beck quando diz que o pânico e a ansiedade pós-traumática tem em comum "a experiência de medo com a percepção de inescapabilidade." Eu percebi com meus pacientes, e depois confirmei pela análise etologica dos comportamentos da presa do predador, que a experiência singular de ansiedade traumática de pânico que Beck menciona só acontece onde as respostas defensivas normalmente variadas e ativas foram mal-sucedidas, isso é, quando uma situação é perigosa e inevitável. A ansiedade, na forma de pânico patológico (algo distinto da ansiedade como sinal), representa o fracasso profundo das estruturas defensivas inatas do organismo em mobilizar o indivíduo permitindo que escape das situações ameaçadoras de forma ativa e bem sucedida.
Onde a fuga é possível, o organismo responde com um padrão ativo e positivo de resposta. Tem a experiência contínua de perigo, corrida, e fuga. Quando, em um estado ativado, a fuga é completada, não há ansiedade. Em lugar disso é experimentado um senso fluido de "competência biológica".
Onde os comportamentos defensivos são mal-sucedidos, a ansiedade é gerada. É quando as formas ativas de resposta defensiva são abortadas e incompletas que o estado de ansiedade aparece.
Sob a etiqueta monolítica de "ansiedade" se camuflou uma riqueza de sensações incompletas e identificáveis, de respostas somáticas e sentimentos corporais variados. Estas experiências do corpo representam a resposta do indivíduo moldada pela experiência passada, mas também pelo seu "potencial genético", na forma de respostas defensivas irrealizadas. O reconhecimento de que a orientação instintiva e os comportamentos defensivos são padrões motores organizados, quer dizer, atos motores preparados (condicionados de forma inata), ajuda a devolver o corpo à cabeça. A ansiedade deriva do fracasso em completar atos motores.
No final das contas, temos apenas um medo, o de não poder lidar com aquilo que nos assusta, o da nossa própria incapacidade de dar conta. Sem respostas ativas e defensivas disponíveis não podemos lidar efetivamente com perigo e, nessa medida, ficamos ansiosos.

O impulso de correr é experimentado como sentimento de perigo, enquanto a corrida bem sucedida é experimentada como fuga (e não ansiedade!).
A palavra fear vem do termo inglês arcaico para perigo, enquanto ansioso deriva da raiz grega ânsia, significando pressionar, apertado ou estrangular. Nossa fisiologia e psique são constritas precipitadamente na ansiedade. A resposta se restringe à fuga desesperada, o contra-ataque furioso, ou gelar-se e desmoronar.

Em resumo, quando a orientação normal e os recursos de fuga defensiva não conseguem solucionar a situação, a vida mantém o equilíbrio com a fuga não-dirigida, a fúria ou o colapso. Raiva e terror-pânico são estados emocionais secundários da ansiedade que são evocados quando os processos de orientação preparatória do perigo, sentimentos de orientação e preparação para fugir não são bem sucedidos, quando são bloqueados ou inibidos. Esta "contrariedade" resulta em congelamento e ansiedade-pânico.

Imobilidade e congelamento tônicos.
A ansiedade foi freqüentemente associada à fisiologia e experiência da fuga. A análise dos comportamentos de angústia em animais sugere que isto possa estar totalmente errado. A etologia (o estudo dos animais no seu ambiente natural) é contraria a visão da fuga como raiz da angústia-ansiedade. Quando atacado por uma chita nas planícies africanas, um antílope tentará primeiro escapar pela corrida orientada e dirigida. Porém, se o animal fugindo é encurralado de forma que a fuga é muito dificultada, poderá correr cegamente, sem uma orientação dirigida, ou tentar lutar de modo selvagem e desesperado contra as enormes desvantagens. No momento de contato físico, freqüentemente antes de o dano ser infligido de fato, o antílope parece morrer abruptamente. Não só parece morto, mas sua fisiologia autonômica sofre uma extensa alteração e reorganização. O antílope está na realidade altamente ativado interiormente, embora o movimento externo seja quase inexistente. Animais de presa são imobilizados dentro um contínuo (cataléptico-catatônico) padrão sustentado de atividade neuromuscular e alta atividade autonômica e de onda cerebral. As respostas simpática e parassimpática também são ativadas simultaneamente, como um freio e um acelerador, trabalhando uma contra a outra.
Na imobilidade tônica, um animal está ou no endurecimento congelado pela alta contração dos grupos musculares agonistas e antagonistas, ou num estado muscular continuamente equilibrado, hipnótico, que é chamado "flexibilidade ondulada." Neste estado as posições do corpo podem ser moldadas como no barro, como é visto em esquizofrênicos catatônicos. Também há um entorpecimento analgésico.
Neste estado o paciente pode descrever muitos de estes comportamentos tal como lhe acontecem. Porém, ele não está ciente das sensações físicas e sim do seu julgamento crítico autodepreciativo a respeito das sensações. É como se fosse necessário achar alguma explicação para as forças profundamente desorganizadoras que estão por baixo da própria inadequação percebida. O psicólogo Paul G. Zimbardo chegou a propor que a maioria das doenças mentais não representam um prejuízo cognitivo, mas uma (tentativa de) interpretação dos estados internos descontínuos ou “inexplicáveis”. A imobilidade tônica, a raiva assassina, e a fuga não dirigida são exemplo desses estados.

A imobilidade tônica demonstra que a ansiedade pode tanto autoprotetora como autodebilitante.
Luta, fuga e imobilidade são respostas adaptativas.
Quando a resposta de luta ou fuga é apropriada, congelar será relativamente maladaptativo. Quando congelar é apropriado, tentar fugir ou lutar pode ser maladaptativo. Biologicamente, a imobilidade é uma estratégia adaptativa potente quando a fuga ativa é impedida. Porém, quando se torna um padrão de resposta preferido em geral nas situações de ativação, é profundamente debilitante. A imobilidade é a experiência incapacitante e cristalizada da ansiedade e do pânico traumático. Porém, por baixo da resposta congelada estão a luta ou a fuga, e outras preparações de defesa e orientação que estavam ativadas antes do congelamento. Desmontar a ansiedade é possível na medida em que se restabelecem as respostas ocultas de luta ou fuga, e as outras respostas ativas de defesa que acontecem precisamente no momento antes da fuga ser impedida.

A chave no tratamento das reações de ansiedade e estresse pós-traumático é a princípio bastante simples: desacoplar a resposta de congelamento, normalmente aguda e limitada no tempo, da reativação de medo. Isto é realizado restabelecendo as respostas defensivas e de orientação pré-traumáticas progressivamente, as respostas que estavam em execução justo antes do inicio da imobilidade.
Na prática há muitas estratégias que podem ser utilizadas para realizar isto. O que as unifica é que elas são todas usadas na intenção de desestruturar a resposta de ansiedade restabelecendo recursos defensivos e de orientação. As necessidades e recursos de cada indivíduo estimulam uma solução única, criativa e adaptativa.



Sinergia que ativa o pânico:

• Os teóricos cognitivos acreditam que a distorção na avaliação cognitiva da situação e um elemento determinante nas reações de ansiedade.

• Para eles, a ansiedade é um sinal de perigo, que ativa os comportamentos defensivos necessários. Visão de cima para baixo, a cabeça decide o comportamento.)

• Soluções biológicas para O organismo responde de forma
situações de perigo imediata, precisa e diferenciada.

• A percepção do perigo e a avaliação da própria capacidade de responder são processos inconscientes.

• Os comportamentos defensivos são padrões motores organizados, atos motores preparados.

• Luta ou fuga resposta ativa senso de competência biológica
Impulso de correr..............experimentado como medo.
Corrida bem sucedida.........experimentado como fuga.

• Defesa impossível
 congelamento temporário (ativação simultânea dos ramos simpático e parassimpático).
 congelamento permanente. Ansiedade (respostas incompletas ou abortadas).

• Ansiedade
atividade desorganizada de fuga não dirigida.
atividade desorganizada de contra-ataque furioso.
congelamento (ativação simpática e parassimpática simultânea,
entorpecimento analgésico, endurecimento ou flexibilidade ondulada)

• Em estado de ansiedade não há consciência das sensações, mas do juízo crítico a respeito delas: tentativa de encontrar sentido no estado interno descontinuo, desorganizado e inexplicável.

• Proposta terapêutica: desacoplar o congelamento da ativação. Por baixo do congelamento estão a luta, a fuga e as outras respostas de orientação defensivas que estavam em execução antes de congelar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Falhas femininas no mercado de trabalho





Uma pesquisa, intitulada A mulher e o Mercado de Trabalho e idealizada pela Catho Consultoria em RH, apontou que as piores falhas profissionais atribuídas às mulheres são insegurança e hipersensibilidade a situações e pessoas. O estudo foi realizado com mais de 100 mil executivos de São Paulo.

Para 49,92% dos entrevistados, o ponto positivo das mulheres está na melhor capacidade de comunicação. A pesquisa revelou que elas não costumam usar vícios de linguagem e conseguem manter as pessoas mais sintonizadas enquanto falam. Outra característica avaliada foi valorizar mais os subordinados quando em posições de chefia, apontada por 31,11% como sendo a principal característica do estilo de liderança das mulheres.

Segundo Norberto Chadad, coordenador da pesquisa, a análise da posição da mulher no mercado de trabalho é completa:

– É uma grande satisfação poder compartilhar estes resultados e mostrar que o dito "sexo frágil" há muito deixou de ser apenas a sombra de seu par masculino, mas que hoje ocupa posições, recebe promoções e compete de igual para igual – afirma.

O consultor organizacional Ricardo Piovan, autor do livro Resiliência - como superar pressões e adversidades no trabalho, afirma que algumas características femininas contribuem intensamente na aplicação da resiliência no ambiente corporativo:

– Uma delas é a flexibilidade. As mulheres são muito mais flexíveis que os homens, elas se moldam perante as pressões e adversidades, possibilitando uma outra visão para superar os problemas do trabalho. Neste momento, aparece outra habilidade inerente da mulher que é a criatividade. Uma vez permitido ser flexível, posso criar formas que não foram pensadas para resolução de problemas, conflitos ou pressões, isto é, formas inovadoras para superar qualquer obstáculo – ilustra.


Ricardo Piovan dá, ainda, uma sugestão para mulheres que estejam encontrando dificuldades em controlar a sensibilidade no local de trabalho:


– Vistam suas máscaras temporariamente. Quando estiver com raiva do chefe por algo que ele fez, se acessar este estado pode ter problemas de relacionamento - e a corda pode estourar para o mais fraco. Então vista uma máscara temporária demonstrando que está dominando a situação e não perdendo o controle. Mas cuidado, ficar neste estado de máscara o tempo todo traz sofrimento, pois você não está sendo você, portanto, após o término da crise seja autêntica com o seu chefe, aplicando-lhe um feedback falando tudo que você sentiu quando ele teve aquele comportamento. Note que, fora da crise é muito mais fácil ser compreendida por este chefe despreparado – ensina.

(O Globo)

Puberdade





O que é a puberdade?

A puberdade é um período que ocorre mudanças biológicas e fisiológicas, é neste período que o corpo torna-se maduro e os “adolescentes” ficam capacitados para gerar filhos. Ela não deve ser confundida como sinônimo da adolescência, visto que a puberdade faz parte da adolescência.
Nesta fase, são observadas mudanças tais como: crescimento de pêlos pubianos, crescimento dos testículos e aparecimento das mamas.

O início da fase da puberdade é variável de pessoa para pessoa, frequentemente para o sexo feminino é entre os nove e treze anos de idade e para o sexo masculino entre 10 e 14 anos de idade. Este processo pode ser observado nos diferentes setores dos organismos, alguns mais evidentes do que em outros, como o aumento do peso e da altura e à maturação sexual.
No período da puberdade, o hormônio hipotálamo ordena ao outro hormônio, a hipófise, o aumento de gonadotropinas que são liberados durante o sono, que ao se desencadearem, realizam a produção dos hormônios sexuais.
Os hormônios sexuais se diferem para os homens e as mulheres, mas não são totalmente exclusivos de cada sexo, nos homens, os testículos secretam entre outros hormônios, a testosterona e nas mulheres, o ovário fabrica o estrógeno.
As gônadas e as supra-renais de ambos os sexos produzem o estrógeno e testosterona, mas é variável a quantidade. As características biológicas são universais e ocorrem de forma semelhante em todos os seres humanos.

Puberdade atrasada

Em algumas meninas a partir dos 13 anos de idade e em meninos a partir dos 14 anos de idade, ocorrem à ausência de qualquer característica sexual, neste caso é considerado a puberdade atrasada, neste caso alguns especialistas aconselham a procura de um profissional adequado para acompanhar os casos de puberdade.

Puberdade precoce

É quando as características pertencentes às meninas ocorrem antes dos 8 anos de idade e nos meninos antes dos nove anos.

Período de Puberdade Masculina

A puberdade nos meninos começa por volta dos 11 ou 12 anos e é caracterizado por um período de intensas mudanças, como o crescimento dos pêlos e pênis e o aumento de tamanho dos testículos.
Nesta fase ocorre a primeira ejaculação, sendo que esta pode ocorrer durante o sono ou até mesmo resultante da masturbação, acontecem também a ereção espontânea, sem que o pênis seja estimulado ou mesmo tocado.

As principais características das mudanças são:

- surgimento de pêlos nos púbis, nas axilas e no peito;
- aumento dos testículos e do pênis;
- crescimento da barba;
- voz grossa;
- ombros mais largos;
- aumento da massa muscular;
- início da produção de espermatozóides;
- aumento do peso e da estatura.


Período de Puberdade Feminina

A puberdade nas meninas começa por volta dos 9 ou 10 anos e é caracterizado pela primeira menstruação e o desenvolvimento dos órgãos genitais e da mamas.
A primeira menstruação ocorre por volta dos 12 anos, ou antes, pois dependem de fatores genéticos, raciais, nutricionais e outros.

As principais características são:

- alargamento dos ossos da bacia;
- início do ciclo menstrual;
- surgimento de pêlos nos púbis e nas axilas;
- depósito de gordura nas nádegas, nos quadris e nas coxas;
- desenvolvimento das mamas.


A puberdade também mexe com o emocional dos adolescentes e também em seu comportamento, principalmente em seu desejo sexual.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

HOMOFOBIA É CRIME!








HOMOFOBIA É CRIME
















Nos últimos 30 anos, o Movimento LGBT Brasileiro vem concentrando esforços para promover a cidadania, combater a discriminação e estimular a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A partir de pesquisas que revelaram dados alarmantes da homofobia no Brasil, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), juntamente com mais de 200 organizações afiliadas, espalhadas por todo o país, desenvolveram o Projeto de Lei 5003/2001, que mais tarde veio se tornar o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.

O projeto torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero - equiparando esta situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa.

Aprovado no Congresso Nacional, o PLC alterará a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, caracterizando crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Isto quer dizer que todo cidadão ou cidadã que sofrer discriminação por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero poderá prestar queixa formal na delegacia. Esta queixa levará à abertura de processo judicial. Caso seja provada a veracidade da acusação, o réu estará sujeito às penas definidas em lei.

O texto do Projeto de Lei PLC 122/2006 aborda as mais variadas manifestações que podem constituir homofobia; para cada modo de discriminação há uma pena específica, que atinge no máximo 5 anos de reclusão. Para os casos de discriminação no interior de estabelecimentos comerciais, os proprietários estão sujeitos à reclusão e suspensão do funcionamento do local em um período de até três meses. Também será considerado crime proibir a livre expressão e manifestação de afetividade de cidadãos homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais.

Apesar dos intensos esforços e conquistas do Movimento LGBT Brasileiro em relação ao PLC 122, ainda assim, ele precisa ser votado no Senado Federal. O projeto enfrenta oposição de setores conservadores no Senado e de segmentos de fundamentalistas religiosos. Por este motivo, junte-se a nós e participe da campanha virtual para divulgar e pressionar os senadores pela aprovação do projeto.

Para ler o projeto de lei na íntegra, clique aqui.

Por quê a lei?

Ainda não há proteção específica na legislação federal contra a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero;
Por não haver essa proteção, estimados 10% da população brasileira (18 milhões de pessoas) continuam a sofrer discriminação (assassinatos, violência física, agressão verbal, discriminação na seleção para emprego e no próprio local de trabalho, escola, entre outras), e os agressores continuam impunes;
Por estarmos todos nós, seres humanos, inseridos numa dinâmica social em que existem laços afetivos, de parentesco, profissionais e outros, essa discriminação extrapola suas vítimas diretas, agredindo também seus familiares, entes queridos, colegas de trabalho e, no limite, a sociedade como um todo;
O projeto está em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário: “Artigo 7°: Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação”;
O projeto permite a concretização dos preceitos da Constituição Federal: “Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação [...] / Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”;
O projeto não limita ou atenta contra a liberdade de expressão, de opinião, de credo ou de pensamento. Ao contrário, contribui para garanti-las a todos, evitando que parte significativa da população, hoje discriminada, seja agredida ou preterida exatamente por fazer uso de tais liberdades em consonância com sua orientação sexual e identidade de gênero;
Por motivos idênticos ou semelhantes aos aqui esclarecidos, muitos países no mundo, inclusive a União Européia, já reconheceram a necessidade de adotar legislação dessa natureza;
A aprovação do Projeto de Lei contribuirá para colocar o Brasil na vanguarda da América Latina, assim como o Caribe, como um país que preza pela plenitude dos direitos de todos seus cidadãos, rumo a uma sociedade que respeite a diversidade e promova a paz.
Fonte: Projeto Aliadas – ABGLT


Verdades e Mentiras sobre o PLC 122/06

Desde que começou a ser debatido no Senado, o projeto de lei da Câmara 122/2006, que define os crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero tem sido alvo de pesadas críticas de alguns setores religiosos fundamentalistas (notadamente católicos e evangélicos).

Essas críticas, em sua maioria, não têm base laica ou objetiva. São fruto de uma tentativa equivocada de transpor para a esfera secular e para o espaço público argumentos religiosos, principalmente bíblicos. Não discutem o mérito do projeto, sua adequação ou não do ponto de vista dos direitos humanos ou do ordenamento legal. Apenas repisam preconceitos com base em errôneas interpretações religiosas.

Contudo, algumas críticas tentam desqualificar o projeto alegando inconsistências técnicas, jurídicas e até sua inconstitucionalidade. São críticas inconsistentes, mas, pelo menos, fundamentadas pelo aspecto jurídico. Por respeito a esses argumentos laicos, refutamos, abaixo, as principais objeções colocadas:



1. É verdade que o PLC 122/2006 restringe a liberdade de expressão?

Não, é mentira. O projeto de lei apenas pune condutas e discursos preconceituosos. É o que já acontece hoje no caso do racismo, por exemplo. Se substituirmos a expressão cidadão homossexual por negro ou judeu no projeto, veremos que não há nada de diferente do que já é hoje praticado.


É preciso considerar também que a liberdade de expressão não é absoluta ou ilimitada - ou seja, ela não pode servir de escudo para abrigar crimes, difamação, propaganda odiosa, ataques à honra ou outras condutas ilícitas. Esse entendimento é da melhor tradição constitucionalista e também do Supremo Tribunal Federal.


2. É verdade que o PLC 122/2006 ataca a liberdade religiosa?

Não, é mentira. O projeto de lei não interfere na liberdade de culto ou de pregação religiosa. O que o projeto visa coibir são manifestações notadamente discriminatórias, ofensivas ou de desprezo. Particularmente as que incitem a violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.


Ser homossexual não é crime. E não é distúrbio nem doença, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Portanto, religiões podem manifestar livremente juízos de valor teológicos (como considerar a homossexualidade "pecado"). Mas não podem propagar inverdades científicas, fortalecendo estigmas contra segmentos da população.


Nenhuma pessoa ou instituição está acima da Constituição e do ordenamento legal do Brasil, que veda qualquer tipo de discriminação.

Concessões públicas (como rádios ou TV's), manifestações públicas ou outros meios não podem ser usados para incitar ódio ou divulgar manifestações discriminatórias – seja contra mulheres, negros, índios, pessoas com deficiência ou homossexuais. A liberdade de culto não pode servir de escudo para ataques a honra ou a dignidade de qualquer pessoa ou grupo social.


3. É verdade que os termos orientação sexual e identidade de gênero são imprecisos e não definidos no PLC 122, e, portanto, o projeto é tecnicamente inconsistente?

Não, é mentira. Orientação sexual e identidade de gênero são termos consolidados cientificamente, em várias áreas do saber humano, principalmente psicologia, sociologia, estudos culturais, entre outras. Ademais, a legislação penal está repleta de exemplos de definições que não são detalhadas no corpo da lei.


Cabe ao juiz, a cada caso concreto, interpretar se houve ou não preconceito em virtude dos termos descritos na lei.

Fonte: Projeto Aliadas/ABGLT



sábado, 16 de maio de 2009

Sexualidade WAS






As definições são baseadas em interpretações de várias palavras e títulos que puderam ser aplicadas à disciplina de Sexologia. Utilizou-se como referência o dicionário conciso em inglês: Oxford. Além das definições para o sexo, sexualidade e saúde sexual definida pelos conselheiros técnicos World Association for Sexology (WAS), em Montreal no ano de 2004.

Sexo

O sexo relaciona-se às características biológicas que definem seres humanos como homem ou mulher. Estas características biológicas não são exclusivas, existem indivíduos que possuem ambos. O termo sexo, usualmente é utilizado para significar “atividade sexual”, mas tecnicamente no contexto de sexualidade e discussões de saúde, a definição inicial é preferida.

Sexualidade

Sexualidade é um aspecto central de ser humano durante a vida. Abrange sexo, identidade e papéis do gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade é experienciada e expressada em: pensamentos, fantasias, desejos, opiniões, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relacionamentos. Quando a sexualidade inclui essas dimensões ela pode ser experienciada e expressada. A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, cultural, éticos, legais, históricos e religiosos e espirituais.

Saúde Sexual

A saúde sexual é um estado de bem estar físico, emocional, mental e social relacionado à sexualidade. Não é meramente a ausência da doença, disfunção ou enfermidade. A saúde sexual requer uma positiva e respeitável aproximação da sexualidade e dos relacionamentos sexuais a possibilidade de ter experiências sexuais prazerosas e seguras, livre de coerção, discriminação e violência. Para que a saúde sexual seja alcançada e mantida, os direitos sexuais das pessoas devem ser respeitados, protegidos e cumpridos.

A saúde sexual pode ser influenciada por aspectos relacionados ao comportamento sexual, atitudes e fatores de sociedade (risco biológico e predisposição genética). Além de saúde mental, doenças agudas e crônicas, violência, infertilidade, gravidez não intencional e aborto.


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http://www.kamasutra.blog.br/2007/08/15/definicao-de-sexo-e-sexualidade-was/

segunda-feira, 11 de maio de 2009

COMPULSÃO

Sexo, comida, exercício e compras, entre outras atividades tidas como normais e rotineiras, vêm se transformando na principal causa de preocupação de pessoas que se consideram "viciadas" em algumas delas.

Para psiquiatras, psicanalistas e antropólogos ouvidos pela Folha, mudanças sociais nas últimas décadas e o próprio avanço da medicina ajudam a explicar o fenômeno. Estaríamos vivendo uma nova era, na qual o que tradicionalmente se chama de "vício" ganhou maior amplitude, novos diagnósticos e passou a despertar crescente interesse de terapeutas, da indústria farmacêutica, da sociedade e também de governos. "Vício" é uma palavra em geral evitada pelos especialistas, por sua conotação moral negativa. Eles preferem o termo "dependência", quando se trata de drogas, e "compulsão", para designar distúrbios como a irrefreada e repetida "vontade" de fazer compras ou de praticar sexo. O problema não está em querer consumir ou ter relações sexuais, mas em viver quase exclusivamente para isso. Nesse caso, um impulso particular sobrepõe-se a todas as demais atividades que a pessoa possa --ou mesmo queira-- fazer.

Os tipos compulsivos, segundo o psiquiatra Marcos Ferraz, são caracterizados pela perda da liberdade. Com os progressos na explicação desse mecanismo, o viciado passou da condição de culpado para a de vítima, seja do meio social, seja da genética.

Mecanismos iguais

De acordo com Rodrigo Bressan, professor de pós-graduação em psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), os mecanismos cerebrais que determinam a dependência de drogas e as compulsões comportamentais são muito semelhantes --têm a ver com a perda de possibilidade de escolha. Em ambos os casos, a pessoa não pode mais ficar sem determinada substância --seja ela o cigarro, o álcool ou uma droga ilícita-- ou sem repetir uma ação ou um comportamento.

O número de viciados, seja em drogas, seja em comportamentos, vem se acelerando desde o fim dos anos 70. Para o psiquiatra e psicanalista Joel Birman, professor titular do Instituto de Psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), esse aumento é uma conseqüência das novas exigências da sociedade dita pós-moderna.

Segundo o psicanalista, essa sociedade exige cada vez mais das pessoas em todas as áreas, mas elas nem sempre estão preparadas para responder a tal demanda. Uma profusão de estímulos, geralmente na forma de imagens (TV, mídia, publicidade), bombardeia os indivíduos, que muitas vezes têm dificuldades de elaborá-los. "Sentimo-nos possuídos por uma excitação da qual não conseguimos dar conta", diz Birman. O resultado desse processo é o que o psicanalista chama de "excesso de excitabilidade".

A sociedade também impõe uma competição acirrada entre personalidades exibicionistas e autocentradas. Cada indivíduo precisa buscar sempre o máximo desempenho. Quem não consegue lidar com o excesso de excitabilidade nem se adaptar a essa "cultura do narcisismo" pode sucumbir, diz Birman.

Diante de tal ameaça, ocorrem reações: o excesso de excitabilidade se converte em perturbações psicossomáticas, síndrome do pânico ou depressão. Para fugir de situações como essa ou lidar com elas, a pessoa começa a comer muito, jogar ou se drogar.

A compulsão por drogas possui uma característica peculiar. Algumas delas alteram a personalidade de tal forma que permitem melhorar o desempenho social de forma momentânea. O sujeito inadaptado, que normalmente não teria chance numa sociedade que exige performance, pode encontrar na droga um meio, à primeira vista, viável de integração.

O desejo

O psicanalista Contardo Calligaris, no entanto, faz uma ponderação no que se refere ao tratamento e à atenção dada hoje aos chamados "vícios modernos", as compulsões. Ele preocupa-se com o fato de que cada vez mais comportamentos venham sendo tratados como vícios. "Seguindo essa lógica, qualquer comportamento que a gente goste e repita assiduamente, apesar de riscos e contra-indicações, seria uma toxicodependência."

Calligaris considera que a utilização do modelo explicativo da dependência de drogas para descrever outros comportamentos pode ser apenas uma desculpa para evitar um fato incômodo: às vezes as pessoas desejam coisas de que se envergonham, que as prejudicam, que as perturbam. Em vez de assumirem que desejam algo considerado "errado", podem atribuir esse desejo a desequilíbrios químicos que alguma pílula supostamente poderia curar. "Há uma diferença radical entre uma toxicomania e essas condutas", diz Calligaris.

Tudo a mesma droga?

Ao falar de "droga", especialistas não se referem apenas às substâncias ilegais, mas também às legais, como o álcool e até mesmo remédios psiquiátricos, conhecidos como psicofármacos. De acordo com Birman, muitas vezes não existe diferença entre quem usa antidepressivo, ansiolítico ou cocaína: todos eles querem melhorar seu desempenho diante das exigências da sociedade pós-moderna.

O psiquiatra e psicanalista Durval Mazzei Nogueira Filho, especialista no tratamento de dependentes de drogas e autor do livro "Toxicomania", concorda e aponta um novo problema: o aumento do consumo de remédios psiquiátricos.

Isso significa que um número cada vez maior de pessoas deprimidas está recebendo tratamento e deixando de sofrer, mas, segundo Mazzei, é preciso lembrar que a diferença entre os remédios e as drogas ilícitas é bem menor do que muitos supõem.

Em geral, os medicamentos não instauram uma suposta normalidade na química cerebral, mas criam um estado psíquico novo. "Esses remédios agem na mesma região cerebral que recebe o impacto das drogas, o sistema de gratificação e recompensa. Mas o medicamento não atua nos mecanismos íntimos da doença, mesmo porque ninguém sabe quais são eles", afirma.

Mazzei não deixa de receitar remédios quando considera necessário, mas se irrita com o fato de esses remédios serem periodicamente anunciados pela mídia como solução para todos os males. Para Jair Mari, professor de psiquiatria da Unifesp, que atende dependentes químicos, a depressão muitas vezes leva algumas pessoas a buscar as drogas. "Para esses casos, o auxílio de remédios e a psicoterapia podem solucionar o problema", diz. Antidepressivos podem, ainda, funcionar como um substituto para algumas drogas, como a cocaína. No entanto o uso de remédios não é unanimidade entre os médicos. O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, diretor da Uniad (Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas), da Unifesp, afirma que, "se esse uso fosse simples, o problema da dependência de drogas já estaria resolvido".

Os caminhos da cura

Não há um caminho único para quem quer se livrar da dependência ou compulsão. A ajuda vinda dos grupos de anônimos, de psicoterapeutas e até dos bancos das igrejas, ao lado dos remédios recomendados por psiquiatras, podem ajudar uma pessoa a se recuperar do vício.

Formado em 1935 nos Estados Unidos, os Alcoólicos Anônimos, segundo a própria entidade, têm cerca de 2 milhões de membros no mundo. Só na cidade de São Paulo, existem mais de 200 grupos de ajuda --além dos alcoólicos, há grupos para narcóticos, comedores compulsivos e dependentes de sexo, entre outros.

Em suas reuniões periódicas, as pessoas trocam experiências e encontram apoio de outras com os mesmos problemas. "O grupo funciona como uma segunda família", diz o sociólogo Leonardo Mota, autor de um livro sobre os Alcóolicos Anônimos.

As técnicas dos anônimos, no entanto, são alvo de críticas. O psicanalista e psiquiatra Maurício Gadben, que defendeu tese de doutorado sobre dependentes na Unicamp, critica os anônimos por só atacarem os sintomas da dependência. O psiquiatra Jairo Werner, coordenador do grupo de estudos sobre tratamento de alcoolismo da Universidade Federal Fluminense, diz que falta aos grupos diagnóstico médico. "Muitos dos que os procuram precisariam de auxílio especializado", afirma. Ainda assim, profissionais de saúde não questionam a validade dos anônimos. Ao contrário, recomendam aos seus pacientes que os freqüentem. O psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, presidente do Grea (Grupo de Estudos de Álcool e Drogas, da USP), é um deles. A psicóloga Maria Paula Oliveira, uma das fundadoras do Ambulatório do Jogo Patológico do Proad, da Unifesp, concorda. Ela diz que os anônimos tiram dos dependentes o sentimento de onipotência. Nos grupos, eles precisam admitir que são incapazes de controlar seus impulsos e que um "poder superior" os orienta.

Religião pode viciar

Outro caminho para livrar-se da dependência é a religião. Muitas delas oferecem tratamentos para diversos tipos de vício. A Igreja Católica, por exemplo, criou, em 1998, a Pastoral da Sobriedade. A entidade segue o modelo dos 12 passos dos anônimos.

O professor de sociologia da USP Flávio Pierucci afirma que as religiões usam o tratamento para conquistar fiéis. Dom Irineu Danelon, coordenador da Pastoral da Sobriedade em São Paulo, admite a catequese na pastoral e é taxativo: "Não há recuperação sem evangelização".

Participante das reuniões da pastoral desde a fundação, Valmir, ex-dependente de cocaína, diz que só conseguiu abandonar as drogas com a religião. "Freqüentei reuniões do Narcóticos Anônimos, mas vi que ficaria dependente delas. Só com Deus consegui ser independente."

Algumas pessoas trocam uma compulsão por outra, tornando-se fanáticas por religião, segundo o psiquiatra Edmundo Maia. Dom Irineu Danelon admite que algumas pessoas exageram. "As pessoas devem agradar a Deus pelo estilo de vida que levam, e não apenas pela palavra."

A dependência no divã

Enquanto nos anônimos e nas igrejas os dependentes contam experiências sem ser questionados, nos tratamentos psicoterápicos eles falam de assuntos que nem sempre abordariam sem estímulo. "Nas terapias de grupo, todo mundo conversa, se questiona. O terapeuta sempre aponta questões", afirma a psicóloga Maria Paula Oliveira. Há duas diferentes abordagens para o tratamento psicoterápico, segundo a ONU: a behaviorista e a psicodinâmica. Na primeira, o terapeuta acredita que o comportamento compulsivo decorre de falha no aprendizado. O paciente precisa aprender a se comportar de outra forma. Werner, da UFF, compara o aprendizado ao de línguas. "O dependente precisa aprender outra linguagem que não a das drogas." A psicodinâmica aborda a questão do vício como reflexo de conflitos internos surgidos na infância e que precisam de solução. Eliseu Labigalini, psiquiatra do Proad, afirma que a terapia é longa e, às vezes, difícil, por obrigar o paciente a se questionar.

Internações

Quando o dependente já tentou parar de várias formas e não conseguiu, a saída pode ser a internação, afirma José Galduróz, psiquiatra do Cebrid, da Unifesp.

Ela, no entanto, não significa o fundo do poço. Segundo José Antônio Zago, psicólogo do Instituto Bairral (clínica psiquiátrica que atende dependentes), boa parte dos internos tem emprego e apoio da família. O jornalista Carlos, por exemplo, ainda trabalhava quando foi internado pela primeira vez, em 2001. Só em 2004, por causa de uma recaída, perdeu o emprego.

As clínicas combinam, em geral, o uso de remédios com psicoterapia e terapia ocupacional. Algumas usam também os 12 passos dos anônimos e o auxílio da religião.

De todos os tratamentos, dizem os especialistas ouvidos, o melhor é aquele ao qual o dependente se adapta, que pode ser a simples vontade de parar ou todos juntos.


Fonte:(folha online)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

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VEJA A SEMELHANÇA

Veja a semelhança entre Ministro do Tribunal Superior de Justiça e o ator da dança do vazamento...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

MENARCA E CRESCIMENTO



Depois de ouvir algumas afirmações na TV DIÁRIO de Mogi das Cruzes de profissionais da área da saúde, decidi colocar alguns estudos desenvolvidos por profissionais da área da medicina e psicologia especializados em sexualidade humana e gráficos de alguns estudos.
Para quem assistiu ao programa:

RESUMO

Embora a menarca seja um fenômeno tardio dentro do processo pube-ral, muitos pais percebem, só neste momento, que suas filhas não são mais crianças.Os pediatras são procurados nessa ocasião para esclarecer certas dúvidas e tranqüilizá-los. Com certa freqüência, indagam sobre o potencial de crescimento da menina e pedem que seja estimada sua estatura final. A literatura a respeito do crescimento pós-menarca é escassa, talvez devido às próprias características da adolescência que, por envolver inúmeras variáveis, dificulta a interpretação dos resultados.



Esta revisão bibliográfica tem como objetivo focalizar alguns aspectos relacionados ao crescimento, que auxiliem o médico ao oferecer um prognóstico um pouco mais preciso do que médias populacionais, para a adolescente que o questiona a respeito, considerando-se que ela já tenha menstruado. Não existe correlação entre a idade em que o pico de velocidade de crescimento ocorre e a estatura final. Na menarca, a adolescente já alcançou 95,5%da estatura final. Por mais 3 ou 4,8 anos, incrementos progressivamente menores irão ocorrer.As meninas que maturam mais cedo (menstruando antes da idade mediana de 12,6 anos para a ocorrência da menarca) provavelmente crescerão mais do que a média de 6 ou 7cm, e por mais tempo, do que as que maturam mais tarde, até atingirem sua estatura final.

Crescimento Pós-Menarca
Silvia D. Castilho Antônio A. Barras Filho
Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP. Recebido em 17/08/99

Obs:

No estirão da adolescencia a impressão é que elas estão crescendo rápido demais e os motivos associados à chegada da puberdade têm se tornado cada vez mais abrangentes. Associados à genética, ao clima e à alimentação, eles também passaram a incluir os relacionamentos familiares. Em especial, a relação com o pai.
Estudos divulgados ao longo dos últimos anos têm analisado de que forma a ausência do pai pode fazer com que a filha amadureça sexualmente mais cedo -uma idéia inquietante numa época em que as separações são cada vez mais comuns e que ainda não encontra consenso entre especialistas.
Um dos pioneiros nessa avaliação é o sociólogo Jay Belsky, diretor do instituto para o estudo de crianças, famílias e questões sociais, do Birbeck College, da University of London. Em sua teoria da aceleração psicossocial, Belsky defende que as meninas que não convivem com o pai ou que enfrentam muito estresse familiar amadurecem mais cedo.

Aspectos já constatados e geralmente aceitos são a herança genética e o efeito do clima sobre o desenvolvimento sexual: crianças de países quentes chegam à puberdade antes de crianças de países frios. Ainda não se sabe, porém, de que forma a temperatura ambiente promove essa mudança no organismo.
Quanto ao papel dos genes, Latronico afirma que, em gêmeas, por exemplo, a idade da primeira menstruação geralmente é a mesma. Além disso, são comuns também os casos em que as filhas têm a menarca na mesma idade em que suas mães tiveram.
Latronico pesquisa um grupo de jovens com puberdade precoce sob o enfoque genético, com análise de DNA. "Provavelmente o peso dos genes é grande nos casos de puberdade precoce familial, que correspondem a 12% do total", diz a endocrinologista, referindo-se a famílias em que mais de uma pessoa enfrentou o problema.

Precoce ou não, a chegada da menarca costuma despertar dúvidas e preocupações em todas as meninas e ser acompanhada por uma série de mitos, sendo um dos principais o medo de "parar de crescer" (ver quadro ao lado).
Victória Corban, 12, que menstruou no ano passado ("no Dia das Crianças", ressalta), ri ao falar de sua primeira reação. "Mostrei para a minha mãe e ela disse que eu tinha menstruado. Fiquei assustada e falei: "Ferrou pro meu lado". Tive vergonha de contar para o meu pai, aí liguei para minha madrasta", lembra.
Isabela Laranja, 12, não só teve que telefonar para toda a família como ganhou presentes de parentes: um colar, um "kit menstruação" e dinheiro para comprar roupas novas.
"Eu não queria ter menstruado, mas fui no ginecologista e fiquei aliviada, porque ele disse que veio tudo na hora certa."






Introdução:

Palavra adolescência, no dicionário Aurélio, é encontrada com dois sentidos para esse substantivo feminino. O primeiro o define como o período da vida humana entre a puberdade e a virilidade dos 14 aos 25anos (uma definição impregnada de machismo como se pode ver, uma vez que a palavra virilidade refere-se somente ao homem). O segundo sentido, com cunho psicológico, diz que é o período que se estende da terceira infância até a idade adulta, caracterizado psicologicamente por intensos processos conflituosos e persistentes esforços de auto-afirmação, correspondendo à fase de absorção dos valores sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social. Para Myrae LOPES (1954), nas línguas neolatinas admite-se geralmente que a adolescência, do latim adolescei que significa crescer, é um breve espaço de tempo entre a segunda infância e os primórdios da vida adulta. Observar-se-iam, a par de transformações anatômicas e psicológicas, alterações de conduta e mudanças morfológicas sensíveis. Ressalta o autor que à medida que a psicologia foi evoluindo, a duração desse período foi sendo aumentada até compreender grande parte da juventude. De modo geral, considerar-se-ia como próprios dessa fase evolutiva os seguintes fatos: alteração do esquema corporal e a obrigação de um novo ajustamento a que isso obriga, alteração dos sentimentos vitais com perda da base sinestésica referencial e deslocamento na estabilidade do eu, erotização do campo da consciência e necessidade de achar o “complemento”, fixar a libido em objeto concreto, busca ansiosa do mistério da vida e morte, com preocupação crescente no futuro, liberação de tutelas, independência do ambiente familiar e finalmente,fixação do papel social a representar.Com relação à puberdade, esta palavra vem de pubes, latim que tem sentido próprio de pêlo, daí cobrir-se de pêlos, de flores, de lanugem, brotar, crescer etc.BLOS(1979, 1994) usa o termo puberdade para indicar as manifestações físicas da maturação sexual. A pré-puberdade seria o período que precede






Imediatamente o desenvolvimento dos caracteres sexuais primários e secundários. A palavra adolescência seria então usada para indicar os processos psicológicos de adaptação à condição de pubescência. Retrospectivamente, o período de latência caracterizar-se-ia mais pela falta de novos objetos sexuais que pela falta de atividade sexual. O desenvolvimento bifásico da sexualidade humana foi descrito por FREUD (1905) em seu trabalho“Três ensaios sobre a sexualidade”, onde, pela primeira vez em psicanálise, foram apresentados os achados da adolescência como um prolongamento, continuação da infância, e essa situação bifásica representaria uma condição singularmente humana.É comum na clínica verificar que a adolescência não é apenas o período de trabalho emocional; com freqüência verifica-se que, apesar dele, propicia este período cura espontânea de influências patogênicas infantis, oferece ao indivíduo a oportunidade de modificar ou retificar exigências infantis que ameaçavam seu desenvolvimento progressivo.A adolescência foi chamada de segunda edição da infância e os dois períodos têm em comum o fato deque um Id relativamente forte enfrenta um Ego relativamente fraco. Com relação à infância, a adolescência mostra uma necessidade de manutenção dos jogos, não mais os jogos infantis, mas sim o “jogo sério” ou os esportes que ajudam a combater a angústia própria da crise da fase. Pode ser vista como uma fase transicional de perturbações dos mundos psicológicos estáveis da infância e da idade adulta. Ana FREUD (1958) assinala as alterações dos instintos, a organização do eu, as relações objetais e os papéis sociais que caracterizam esse período e dão lugar ao processo que leva desde o equilíbrio psicossocial da infância dentro de seu grupo familiar, passando por uma inevitável etapa de transtornos do desenvolvimento, até a independência adulta. Em que pese à importância e as mudanças que acarretam as freqüentes crises na adolescência não devem ser vistas como distúrbios indesejáveis, mas sim como fenômenos necessários para ensaios e erros, para a busca de um novo sentido da personalidade e seu papel social. A imagem corporal é núcleo da identidade do eu, havendo repercussões psicossociais nesse período de mudanças físicas, no cotidiano do adolescente. Na prática não é fácil estabelecer um limite preciso para o inicio da adolescência, mas esta estaria entre algum momento dos onze aos quatorze, quando tal transformação se passa. Se for difícil usar um critério cronológico para determinar fases da idade, sugere-se usar um critério funcional, de maior utilidade na clínica.






Quem funciona sistematicamente como um adolescente, em qualquer idade, será um adolescente. Seja uma criança precoce, de 8 anos (um menino de rua), ou um adulto de 40 anos (adulto ainda dependente dos pais ou do cônjuge). São exemplos de adolescências expandidas tanto para baixo, como para cima. Em ambos os casos a adolescência será prolongada. Percebe-se que na infância há uma fase de maturação infantil, em que essa criança considerada exibe em geral uma estrutura psíquica coerente. Com relação às fases das quais se compõe a adolescência, são elas de definição cronológica difícil e é útil uma divisão para melhor compreensão clínica. Na pré-adolescência não há estirões, o crescimento em altura é constante. Na primeira fase da adolescência propriamente dita, começa o desenvolvimento das características sexuais. Na fase média, o pêlo púbico pigmentado se desenvolve, assim como crescem os órgãos sexuais; há aceleração máxima do crescimento físico, menarca, mudança de voz, ejaculação com infertilidade. Na última fase a voz se torna grave e aparece a ejaculação com espermatozóides móveis e férteis nos rapazes, e nas moças a ovulação. Como comportamentos individuais nas fases da adolescência, qualquer um que tenha contato com eles pode observar: inquietude física, menor capacidade de concentração, crescente ambivalência frente aos objetos amorosos, tiques, rituais, mania de colecionar, regresso a crenças anteriores acerca de sexo apesar da informação sexual adquirida, regressão a fases libidinais anteriores, avaliação pré-genital do sexo oposto, evitação de contato físico com os pais etc. Como comportamentos grupais geralmente são encontrados: conflito entre a lealdade aos pais e ao grupo adolescente, desafios a normas de linguagem, higiene e saúde, gosto por riscos, evitação dos pais ou substitutos tais como professores, lealdade aos pares, busca de segurança em grupos, ver o sexo oposto como troféu e não considerá-lo em termos de relações interpessoais, evitarem toda ajuda de adultos, baixo prestígio da comunicação verbal com adultos. Há uma margem de manobra que toda sociedade tem que permitir aos jovens, para que experimentem com a vida sem temor a compromissos e conseqüências, com o intuito de adquirir as capacidades e características que necessitarão quando adultos para descobrir o seu lugar social. Isso foi denominado de “Moratória” porERICKSON(1946).Para romper a dependência, que o adolescente vivencia com desejos de retornar à antiga e segura posição infantil, sucede freqüentemente o menosprezo aos pais e, não raro, surge um clima de desdém mútuo.Deve-se levar em conta a crise de meia idade dos pais e a tarefa de aceitar a sexualidade dos filhos numa



Época em que resulta difícil aceitar seu próprio declínio. Torna-se necessário estabelecerem os pais limites coerentes, com os quais os adolescentes possam lutar em seus esforços para romper a dependência. Se esses limites faltam, o adolescente se sente esquecido e não querido. Por mais que se rebele contra os pais, continuam a vê-los como modelos basicamente valorizados e a construção de suas identidades será consideravelmente influenciada por isso. Para os jovens que não querem ou não podem seguir os estudos superiores, não é fornecida, a não serem raríssimas exceções, uma transição que favoreça a inserção desses adolescentes no mercado de trabalho.Sem se falar no estreitamento desse mesmo mercado em nível mundial. A implicação da adaptação ao trabalho é muito grande no desenvolvimento da identidade do adolescente. Por outro lado, o fracasso no trabalho pode muito bem ser secundário a problemas com os pais, logo, a ação solidária e atenta destes é de fundamental importância. Rouanet e o irracionalismo A condição denominada adolescência prolongada, cada vez mais freqüente nos consultórios, na crônica social e na literatura científica, motivou até a revisão de um trabalho de ROUANET(1992) sobre um novo irracionalismo brasileiro. As origens desse irracionalismo fundar-se-iam em duas principais influências, as externas e as internas. Com relação às primeiras seriam importantes a contracultura americana dos anos 70e sua variedade teórica com sintonia em certos pensamentos europeus. Os fatores internos seriam igualmente importantes sendo o principal a política educacional do regime autoritário, com uma extirpação metódica por cerca de vinte anos de todos os valores humaníssimos e idéias gerais, resultando numa geração de egressos que transformam seu não saber em norma de vida por absoluta ignorância. Segundo ROUANET, o irracionalismo só raramente se auto tematiza, resultando que essas pessoas não têm um discurso irracionalista e sim atitudes irracionalistas. O irracionalismo seria oportunista e parasitário, capturando tendências em voga que em si nada têm de irracionais. Trazendo para o primeiro plano as influências políticas e econômicas, diz o autor que o modelo brasileiro dos último anos levou à emergência de um estado de espírito anti autoritário, estado de espírito esse legítimo; assim como a emergência de posições anti colonial e anti elitista. A partir dessas tendências poder-se-ia construir uma sociedade melhor, se fundada na razão. Isso não ocorreu, essas tendências se transformaram em presas fáceis do irracionalismo. Com relação ao anti autoritarismo, o irracionalismo se manifestaria na recusa do esforço de teorização,isso faria a atitude anti autoritária perder a bússola e condenar-se à prática cega, ensaio e erro. No que refere ao anti colonialismo, haveria uma rejeição a uma cultura autêntica, haveria uma orientação xenófoba. Essa cultura, brasileira ou não, sempre funcionaria como fator crítico e de reflexão, instrumento de autotransformação e de transformação do mundo. Contaminado pelo irracionalismo o anti elitismo produziria efeito de desqualificar a cultura superior, não havendo então, uma busca para o estudo nem uma denunciado monopólio da cultura.O irracionalismo agiria na disjunção entre a prática e o saber, mas operaria também no interior do próprio saber. Como exemplo, ROUANET traz a postura lingüística de separatismo entre as normas lusitanas e brasileiras, quando as semelhanças entre essas predominam de modo esmagador sobre as diferenças. Coloca ainda outro exemplo por ele considerado como ideologicamente cego, a valorização do falar popular, valorização essa que conduz pensamentos restritos, estruturas de pensamento arcaicas, concretas, auto centradas, pois partiria de um sistema de comunicação restrito. No que tange à psicanálise, ROUANET vê em FREUD um racionalista inflexível; e que este foi além do iluminismo, pois enquanto antes se dizia que o homem nascia racional e ficava indefeso diante da desrazão por desconhecer os limites da razão,FREUD descobriu esses limites e com isso armou o homem para a conquista da razão.Segundo FREUD(1930), civilização só é obtida por meio de repressão. Para a convivência em grupo todos teriam que abrir mão de inclinações e desejos determinados em prol do bem comum. Isto traz desconforto e demanda um dispêndio energético, do ponto de vista econômico, mas é o meio para o homem cumprir seu papel social.




A psicanálise e a adolescência O estudo psicanalítico da adolescência começa com FREUD. Em seu trabalho de 1905, “Três ensaios sobre a sexualidade”, realçou as importantes fases da sexualidade infantil, até então negadas pelo meio científico, e também o que ocorria no jovem, no período intermediário entre a infância e a vida adulta. No vocabulário científico usa-se o termo libido como correspondente à fome para designar a necessidade sexual. A concepção anterior a FREUD era que essa libido estaria ausente na infância e se instalaria na puberdade. Tal afirmação carece hoje de fundamento. O que ocorre é uma sexualidade em dois estágios, um na infância e o outro após a puberdade com uma fase de relativa tranqüilidade intermediária, o chamado período de latência. Essa situação quiescente é perturbada com as mudanças que ocorrem na chegada da puberdade,destinadas a dar à vida sexual infantil sua forma final .O instinto sexual que até então fora predominantemente auto-erótico, encontra agora um objetivo sexual. Todos os instintos parciais se combinam para atingir o novo objetivo sexual sob a primazia da zona genital. Ocorre confluência da corrente afetiva e da sensual e o instinto sexual está agora subordinado a sua função reprodutora, tornando-se assim altruístico. De acordo com JONES(1922), o indivíduo recapitula e expande no segundo decênio de sua vida todo o desenvolvimento que ele passou durante os cinco primeiros anos de vida. Ana FREUD (1958) estudou e ampliou o tópico, fazendo um levantamento histórico sobre o assunto até a década de cinqüenta de muita importância. Ela mencionou o uso por Bernfeld do termo adolescência prolongada, usado para descrever um tipo especial de jovem do sexo masculino cujo período de adolescência se expande além do limite normal de tempo. O adolescente está destacando sua libido dos antigos objetos e buscando novos, certo luto por esses objetos do passado é inevitável. Na adolescência como no enamoramento ou ainda no luto, grande parte da libido está voltada para o objeto do presente ou do recente passado e há insuficiente libido disponível para se ligar à figura do analista e atualizar material pela transferência. Isso deveria ser levado em conta por todo aquele que trata de adolescentes, pois há necessidade de certa modificação da técnica clássica de psicanálise. Ana FREUD salientou tipos de defesa contra os vínculos objetais e contra os instintos. Com referência aos primeiros citou o deslocamento da libido, a inversão dos afetos, a retirada da libido para a própria pessoa e a regressão. Com relação aos segundos citou o ascetismo, a intelectualização e as defesas maníacas entre estas a onipotência, o triunfo e o desprezo. DEUTSCHE (1944) marcou a importância da mudança de valores sociais e culturais influindo de diversas formas na adolescência. Ressaltou que na sua atualidade os adolescentes não mais teriam um conceito de identidade e maturidade adultas, descobrem que isto se torna obscurecido uma vez que os próprios pais freqüentemente estão envolvidos com sua própria adolescência ainda incompleta. Citou ainda que a precocidade na iniciação sexual pudesse trazer dificuldades à capacidade de sublimação do adolescente. Para BENEDEK(1983), a condição de pais é um estágio de desenvolvimento e muito dos genitores dos adolescentes de hoje não o atingem. Adolescentes da cultura atual, menos autoritária, tenderiam uma vez passada a rebelião do processo adolescente a ter uma atitude para com seus filhos de dúvidas e insegurança sobre o papel parental. Essa geração seguinte seria criada por genitores menos seguros que perseguiriam metas menos estáveis em um mundo em mutação. Para a autora, a parentalidade, como uma experiência biopsicológica, ativaria e alimentaria um processo de desenvolvimento no genitor. É uma fase de desenvolvimento a que muitos evitariam chegar. JACOBSON (1954) afirma que os adolescentes apresentariam mais resistências à análise que os adultos e esses geralmente não reviveriam as reações emocionais correspondentes ao período adolescente apesar de produzirem abundante material mnêmico. Definiu a adolescência como o período entre a triste despedida da infância do self e dos objetos do passado e uma gradual e ansiosa passagem de barreiras através do caminho que leva ao desconhecido campo da vida adulta. Observou a autora que as primeiras ejaculações e a menarca seriam freqüentemente vistas como desconcertantes pelos adolescentes, principalmente pela sensação de não terem mais controle sobre seu próprio corpo. Para WINNICOTT(1975, 1988) haveria importância em uma série de fatores, tais como:desenvolvimento emocional do indivíduo, papel dos pais, a família como um processo natural em função das necessidades da infância, as escolas como extensões da vida familiar, o papel da família em sua relação comas necessidades do adolescente, a imaturidade do adolescente, a consecução gradativa da maturidade neste, a consecução pelo indivíduo de uma identificação com grupamentos sociais e com a sociedade, a estrutura da




Sociedade, as abstrações da política, economia, filosofia, cultura, o mundo como superposição de inúmeros padrões individuais. Com relação à idéia da dependência, o indivíduo passaria gradativa e ordenadamente da dependência absoluta original para a independência relativa; a independência não se tornaria nunca absoluta. As pessoas psicologicamente sadias dependeriam para sua saúde e realização pessoal da lealdade a uma determinada área da sociedade. Com relação às fantasias, narrou WINNICOTT que, se na fantasia primitiva haveria a morte, na adolescência apareceria o assassinato. Crescer significaria ocupar o lugar do genitor, na fantasia inconsciente crescer seria mentalmente um ato agressivo. Abusar de drogas pode significar adaptar-se a essas obrigações, ou delas fugir, atenuando a realidade sob o efeito da droga psicoativa. A droga aliviaria a tensão do inconsciente sobre um ego omisso ou ainda mal estruturado para as funções que dele se espera naquela idade. Com relação ainda a esse crescer, o adolescente seria dogmaticamente imaturo e essa imaturidade seria um elemento essencial para a saúde na adolescência; só haveria uma cura para a imaturidade e esta seria a passagem do tempo. A sociedade precisaria ser abalada pelas aspirações daqueles que não são responsáveis. Enquanto o desenvolvimento se encontrasse em progresso as responsabilidades teriam que ser assumidas pelas figuras parentais. GELEERD(1957) chamou a atenção para as diferenças consideráveis na estrutura da personalidade entre adolescentes das diversas fases, mostrando que a fronteira entre essas seria de difícil demarcação. Antes de se fazer qualquer discussão sobre a adolescência dever-se-ia observar em que período estaria esse adolescente considerado. Ainda para MAHLER (1975), a individuação seria um processo em aberto e isso possibilitaria mudanças. Mudanças tais como, por exemplo, o efeito terapêutico da psicanálise. A quarta e última subfase de separação e individuação que os estudos da autora sistematizaram seria diferente das outras três subfases, principalmente por manter em aberto seu final. Adolescência prolongada RITVO(1971) chama atenção para a fase final da adolescência, quando a última e grande integração e estruturação da personalidade toma lugar. A duração e o estilo da adolescência é muito influenciada por fatores sociais e culturais mais que qualquer outro período de desenvolvimento na vida do indivíduo. O início pode ser determinado pela biologia, pela cultura, pelas questões políticas e econômicas, mas pode ser continuado e prolongado pelas condições da sociedade e pela estrutura familiar. Na fase final da adolescência há uma organização estável das funções do ego, uma extensão da esfera livre de conflitos desse ego até a autonomia secundária, uma identificação sexual irreversível, uma constância objetal e uma estabilização do aparelho mental. JACOBSON (1954) coloca grande valor nas mudanças do ego e nas identificações do superego adolescente. Na adolescência final haveria um incremento de poder do ego que lhe daria um acréscimo de influência no Id e superego. O ego adquiriria um papel de mediador ativo, para isso seria fundamental o papel da formação do ego ideal. A crise da adolescência final apareceria quando houvesse um malogro para resolver os efeitos da neurose infantil e outros distúrbios prévios de desenvolvimento que embaraçariam o estabelecimento de relações objetais. O indivíduo em crise responderia intrapsiquicamente aos conflitos com os atalhos preparados por sua história de vida anterior. Isso seria relativamente válido de geração para geração e o que mudaria seriam as condições que a pessoa teria em mãos no seu período histórico. A expressão “adolescência prolongada” foi introduzida por Bernfeld em 1923 e seu objeto de investigação na época era a adolescência masculina prolongada como fenômeno social observada nos movimentos europeus de juventude após a primeira guerra. Havia nesses grupos uma predileção pela intelectualização e repressão sexual, retardando com isso a consolidação do conflito adolescente. Este termo com o tempo passou a ter uma conotação mais amplo sendo hoje um termo descritivo e coletivo que compreende condições de constelações dinâmicas heterogêneas. O termo refere uma perseveração na posição adolescente, a qual, em circunstâncias normais, tem um tempo limitado e uma natureza transitória. Uma fase de amadurecimento, que deveria ficar para trás depois de realizada sua tarefa, torna-se um meio de vida. Essa adolescente luta para contornar a finalidade das escolhas que são feitas ao final da adolescência; o processo de adolescer não é abandonado, mas mantido em aberto.



Adolescentes têm, em geral, uma inabilidade para ficar sós e essa inabilidade os força a unir-se em grupos. As companhias socorrem-nos dos devaneios e das preocupações auto-eróticas. A amizade com outros rapazes é transitória e instável e um envolvimento homossexual é uma ameaça constante. Têm prazer nas relações sexuais, mas essas, se melhor examinadas, se mostram do tipo de prazeres preliminares. As moças são procuradas como um desafio adequado ao apego incestuoso do parceiro seja por parecer ou diferir de membro significativo da família. Há nesses adolescentes uma constelação infantil típica, foram considerados pelos pais, mais enfaticamente pela mãe, como destinados a grandes coisas na vida. A adolescência prolongada evita uma cri seque deve terminar com a compreensão de que o mundo fora da família não reconhece o papel que a criança tentou desempenhar nas duas primeiras décadas de vida. Quando tentam romper esses laços, percebem que ta latitude é acompanhada de um empobrecimento narcísico que não são capazes de tolerar. O senso de tempo dos adolescentes é então afetado pela substituição constante do futuro pelo passado. Se por um lado têm resistência à pressão regressiva, por outro lado persistem em evitar qualquer consolidação do processo adolescente. Como aceitavam placidamente a posição exaltada em que eram colocados, desenvolveram uma auto-suficiência submissa. Sentiam-se bem na presença feminina e constrangidos e receosos nos seus contatos com homens. Há uma falha na organização hierárquica dos instintos e das funções do ego. O processo adolescente pode ser considerado fechado quando uma organização hierárquica e relativamente inflexível de instintos pré-genitais e genitais é alcançada e quando as funções do ego adquirem uma significativa resistência à regressão. Ocorre então o desenvolvimento de uma autonomia secundária do ego. Quando o conflito da bissexualidade, que faz parte do desenvolvimento normal, pressiona por uma solução final na adolescência propriamente dita, este adolescente o contorna pela preservação na posição bissexual. Na adolescência prolongada se encontra a paradoxal figura em que não há conflito com o qual negociar porque nenhum conflito é experienciado. Esses adolescentes têm que ser ajudados a alcançar o conflito adolescente propriamente dito antes que a fase de consolidação da adolescência terminal chegue. A incapacidade de abandonar posições infantis, juntamente com o desejo de independência e auto-afirmação fora dos limites da família combina-se para fazer do prolongamento da adolescência a única solução. Solução essa, protetora contra duas alternativas: a regressão e o rompimento com a realidade, a solução psicótica; ou a repressão e formação de sintomas, a solução neurótica. Pode-se dizer que a estrutura da adolescência prolongada é similar a de uma desordem de caráter. Em ambos os casos as restrições do ego não são vivenciadas como distônicas; porém não há a rigidez própria de uma desordem do caráter, já que, de modo geral, há acessibilidade a medidas terapêuticas. Para REICH(1927) o caráter consiste em assumir uma mudança crônica do ego que poderia ser descrita como um endurecimento com finalidades protetoras, podendo levar a restrição da mobilidade psíquica. Essa blindagem é mitigada por relações que o autor chama de não caraterológicas. Há um período determinado para a adolescência prolongada; seu limite se daria a partir da metade da década dos vinte anos quando teria de se submeter a um esquema mais organizado e mais rígido. O distúrbio de caráter narcísico seria o que melhor descreveria a tendência geral do desenvolvimento patológico que a adolescência prolongada poderia acabar por assumir. O que leva esses jovens a procurar ajuda terapêutica são as frustrações narcísicas devidas a desapontamentos ou fracassos na educação, vocação, atividades sociais, ou, mais forte ainda, nos fracassos amorosos. O que torna mais difícil o aborde terapêutico é a perda da plasticidade do adolescente. Na delinqüência ocorre um uso preponderante de soluções aloplásticas, ou seja, voltadas para o exterior. Na neurose há soluções autoplásticas, ou seja, voltadas para o mundo interno. Na psicose ocorrem soluções autísticas de adaptação. Para finalizar, cita-se Helene DEUTSCH (1944), que disse que havia homens que permaneceriam na adolescência até a idade avançada e seu climatério não seria realmente uma revivescência e sim um reforçamento da continuação duradoura de sua adolescência. Conclusão Há, na sociedade brasileira atual, uma onda de irracionalismo, onda essa que tenta colocar em segundo plano o primado da razão, as contribuições científicas (tão duramente conquistadas), num aparente clima de mudança estrutural. Essa onda se encontra disseminada por diversas áreas, com os disfarces já vistos de



Anti autoritarismo, anti colonialismo e um pretenso anti elitismo. Segundo ROUANET (1992), esse clima seria passageiro na medida em que a sociedade buscasse iniciar a substituição da anti-razão pela razão. A tendência observada na sociedade brasileira do prolongamento do período adolescente não pode ser estudada apenas pela visão psicológica. Evidentemente o apoio de outras áreas do conhecimento humano se faz necessário. Em face de formação profissional e interesse pessoal dos autores deste artigo, destinou-se uma maior consideração a fatores psíquicos em detrimento, por exemplo, dos sociais, que nesse trabalho tiveram um relevo menor do que realmente possuem. Uma pessoa busca tratamento psicanalítico quando seus sintomas se tornam ego distônicas ou quando não lhes é possível suportar a lentificação ou a paralisação do seu desenvolvimento emocional, cultural, intelectual, laborativo, etc. No consultório, se, por um lado, os pacientes reproduzem conflitos da esfera infantil, os quais se busca resolver na situação analítica principalmente pela transferência; por outro lado, é constatado um aumento de atuações reveladoras de uma fixação à adolescência. Verifica-se uma obstinada recusa em passar para outra etapa da vida. No que se referem à parentalidade, esses pacientes adultos relutam em assumir essa nova etapa do desenvolvimento. Possuem capacidade física para procriar, capacidade econômica para manter um filho só não mostra capacidade psicológica em se desenvolver. Há o caso de um paciente que conseguia levar uma vida, em paralelo, de surfista, com uma “patota”em média vinte anos mais nova que ele. O que o levou realmente a se tratar foi à dificuldade experimentada quando por ocasião do nascimento de seu primeiro filho, nascimento indesejável para o paciente na época. Esse paciente conseguia manter um desempenho profissional excelente, porém, quando nos procurou essa área não conflitada da sua personalidade já estava comprometida.Houve por parte de sua mulher e parentes próximos uma certa cumplicidade com as atuações adolescentes desse paciente, até que tal atitude não pôde mais ser mantida.Outro paciente já na quarta década de vida vestia-se com bermudões, camisas de clubes americanos de basquete, portava geralmente boné sempre com a aba voltada para trás etc. Tal maneira de vestir era totalmente inadequada a sua ocupação. Esse paciente pôde observar posteriormente como essa maneira de trajar lhe trazia dificuldades em sua empresa de trabalho. Um paciente usava freqüentemente, a título de resistência ao tratamento, o jargão e a gíria adolescente de tal modo que tornava necessária a sua ajuda para “traduzir” seu relato. Esse paciente não freqüentava grupos de adolescentes, mas sim um grupo de adultos com comportamentos semelhantes aos seus. O número de pessoas com as características acima descritas veio a se mostrar maior do que se imaginavam quando se passou a prestar-lhes maior atenção. Refletir e dentro do possível esclarecer os fatores causais é o primeiro estágio, a primeira ação dentro de um todo que vise mudanças qualitativas. Deve-se levar em conta que um número grande de fatores está sempre influenciando a cena social, como, por exemplo, o decréscimo de religiosidade, a preocupação muito importante com problemas financeiros e eventos políticos, a desvalorização daqueles que se impõem serem objetos de identificação bem sucedida, contrastes chocantes na distribuição econômica, grande ênfase na riqueza e no sucesso, por um lado, e, por outro, a exclusão de muitos na participação num e noutro etc. As mudanças no mundo exterior são secundárias à capacidade do ser humano de promover mudanças internas. Para tal torna-se necessário não temer a possibilidade de ficar só, não temer o amadurecimento, aceitar a brevidade da vida e o fato de que um dia partirá deixando o mundo para as gerações seguintes. Esta tarefa é lembrada na obra do pai da psicanálise, um racionalista para o qual, onde havia Id, esse deveria ser transformado em Ego. Freud descobriu os limites da razão e com isso armou o homem para sua conquista, conquista esta que não termina nunca. Como exemplo das necessárias vigilância e perseveração há um exemplo extraído do Brás Cubas de Machado de Assis:[...] É sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma,dificilmente lhe farão despejar[...] Concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, quando a adventícia não queria entregar a casa e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão. Não senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto [...].”Para finalizar, cita-se, como um exemplo da importância de se aprender pela experiência, mesmo que no caso seja a aprendizagem a partir de uma experiência desastrosa de uma guerra fratricida.

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A ADOLESCÊNCIA E A IMAGEM CORPORAL

O início da adolescência feminina é facilmente observável, pois num curto espaço de tempo, junto com o advento da puberdade, ocorrem mudanças substanciais no corpo e na mente da, agora, adolescente.
Faz-se certa confusão entre puberdade e adolescência, pois essas duas condições ocorrem mais ou menos ao mesmo tempo na vida das jovens. A puberdade, no entanto, diz respeito aos processos biológicos, que culminam com o amadurecimento dos órgãos sexuais. A adolescência, por sua vez, compreende as alterações biológicas, mas também as psicológicas e sociais que ocorrem nessa fase do desenvolvimento.
Há certa discordância quanto a se a adolescência começa um pouco antes, durante ou logo após a puberdade, mas com certeza esta é a marca que permite calcular o seu início (Calligaris, 2000).
As mudanças corporais que ocorrem nas garotas, nessa fase do desenvolvimento, são consideráveis. Desencadeadas pela produção dos hormônios, a partir dos oito ou nove anos, promovem mudanças no tamanho do corpo, nas suas proporções, e o desenvolvimento das características sexuais primárias e secundárias. O surto de crescimento da puberdade começa um ano ou dois antes que os órgãos sexuais amadureçam, e depois disso, dura de seis meses a um ano. Nas meninas começa entre 8,5 e 11,5 anos, com um pico de rapidez que ocorre em média aos 12,5 anos, declinando depois disso até parar por volta de 15 a 16 anos. O crescimento em altura segue um padrão regular e geralmente precede o aumento de peso. Em cerca de três anos, até um ano depois da puberdade, a menina ganha, em média, 17 quilos.
Durante a puberdade a cabeça cresce lentamente em relação ao resto do corpo, a testa se torna mais alta e larga, o nariz cresce rapidamente, a boca se alarga, os lábios tornam-se mais cheios e o queixo passa a ser mais pronunciado; desenvolve-se a linha da cintura, ombros e quadris se alargam, os braços e as pernas se alongam e tornam-se mais moldados, em conseqüência dos depósitos de gordura; além disso, há o desenvolvimento dos seios, o aparecimento dos pêlos púbicos, axilares, faciais e nos membros. Também ocorrem alterações na voz e na cor e textura da pele. Mudanças também acontecem nos órgãos internos, nos sistemas digestivo, circulatório, endócrino e respiratório; os ovários e o útero crescem e amadurecem rapidamente. Acompanhando essas transformações, vem o sangramento menstrual cíclico ou menstruação (Hurlock, 1979). A menarca deve ocorrer por volta dos 12 anos, segundo Penna, Epps e Deluqui, 1970, Berenstein, 1995 e Kuczynski, 1998.
Frente a todas essas mudanças, a imagem corporal também precisa ser reformulada. A imagem corporal ou esquema corporal é a representação mental do próprio corpo, o modo como ele é percebido pelo indivíduo. Compreende não só o que é percebido pelos sentidos, mas também as idéias e sentimentos referentes ao próprio corpo, em grande parte inconscientes (Schilder, 1999).
A imagem corporal vai se desenvolvendo como um produto da relação do indivíduo consegue mesmo e com os outros. Como acrescenta Lourenção van Kolck (1984), a imagem corporal é uma unidade adquirida, é dinâmica, portanto alterações corporais provocam mudanças na imagem corporal, e esse fenômeno é particularmente intenso na adolescência.
Desde que deixa de ser um bebê o corpo do ser humano até a adolescência mantém uma identidade; essa identidade sofre uma desorganização com a emergência dos caracteres sexuais secundários. As mudanças que ocorrem nesse período levam a uma perda da antiga imagem corporal e da identidade infantis, o que implica na busca de uma nova identidade. A menina adquire, agora, um novo status e, com a chegada da menstruação, tem como tarefa psíquica que definir seu papel e identidade sexual (Aberastury, 1990).
A adolescente precisa elaborar o luto pelo corpo infantil que vai perdendo, e aceitar a chegada da menstruação, que lhe impõe uma definição sexual e de seu papel na união com o par do sexo oposto e na procriação. A angústia e os estados de despersonalização que, muitas vezes, acompanham esses momentos, devem-se, segundo Aberastury, à angústia de perceber que é o próprio corpo que produz essas mudanças.
Como diz Calligaris (2000, p 25) “entre a criança que se foi e o adulto que ainda não chegou, o espelho do adolescente é freqüentemente vazio” Com que parâmetros podem olhar para si mesmo, se não se sente mais amado pela sua aparência, como era quando criança, e ainda não é reconhecido como um par pelos adultos?
Observando-se esta questão do ponto de vista do desenvolvimento feminino, percebe-se que, além da dificuldade intrínseca de fixar uma imagem de si, mesmo que temporária, nesse corpo em transformação, a jovem, em nossa sociedade ocidental contemporânea, tem que lidar com novos desafios, trazidos pela globalização e forte influência dos meios de comunicação nos comportamentos humanos.
Como afirma Ruffino (1993), as sociedades modernas vão, cada vez mais, homogeneizando comportamentos, e cada grupo social vai perdendo seus traços culturais característicos. Assim, a chegada da menstruação, por exemplo, que freqüentemente demarcava uma passagem para um novo estágio de desenvolvimento e era tida como um acontecimento social em muitas culturas passou a ser vivida solitariamente por cada jovem.
Além da falta do apoio social para lidar com suas transformações, a jovem depara-se com os modelos de beleza e com a extrema valorização da aparência veiculada pelos meios de comunicação. É preocupante o fato de que esses modelos sejam internalizados, sem ser questionado, como algo natural do sujeito. Como afirma Kit (2001), a intensidade com que os meios de comunicação atingem as culturas é mais intensa que a capacidade de assimilação das pessoas, fazendo com que o que se vê seja incorporado sem ser simbolizado. Em nossa sociedade, há uma desconsideração da subjetividade e uma supervalorização da imagem, um culto narcísico ao corpo, que é vendido como objeto de consumo, onde, mais importante do que sentir, pensar, criar, é ter medidas perfeitas, considerando-se o padrão de magreza como ideal. Assim, a adolescente, que já tem que lidar com suas transformações físicas, é colocado frente a esses modelos e à impossibilidade de corresponder a eles.
O excesso de preocupação com a aparência e o aumento da insatisfação com o corpo, principalmente com o peso, na contemporaneidade, tem sido objeto de muitos estudos científicos. Esse interesse é motivado pelo reconhecimento do crescimento dos distúrbios alimentares em garotas adolescentes e mulheres jovens, principalmente. A preocupação com o peso é entendida como resultado da internalização de padrões irreais de beleza, e, muitas vezes, predispõe as jovens à depressão. Especialistas em distúrbios alimentares defendem que haja esforços no sentido de alterar esse padrão de beleza de extrema magreza e as atitudes sociais frente ao aumento de peso, ao mesmo tempo, que sejam feitos estudos de intervenção para melhorar a imagem corporal das garotas (Striegel-Moore, 2001). Ao se defrontarem com modelos geralmente fora dos padrões de normalidade, as jovens, que já lidam com as dificuldades intrínsecas de possuir um corpo em transformação, tendem, segundo esses estudos, a ter um autoconceito rebaixado.
Essa idéia é comprovada por uma pesquisa com 580 adolescentes coordenada pela Divisão de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas, apresentada por De Lucia (2001), no Congresso Interamericano de Psicologia da Saúde, que mostrou que 80% delas não gostam da própria aparência e 50% procuram dietas porque acham que são gordas. Uma das conclusões dessa pesquisa é que a motivação para a dieta não estava relacionada à atual forma física delas, mas à busca de um corpo ideal.
Nesse contexto de grandes mudanças corporais e forte pressão da mídia e da sociedade para a exibição de um corpo idealizado, este trabalho pretende investigar qual é a imagem corporal das garotas que estão entrando na adolescência, utilizando, para isso, entrevistas semi-dirigidas e o Teste do Desenho da Figura Humana, segundo a adaptação de Lourenção Van Kolck (1984) da obra de Machover (1967).

sábado, 18 de abril de 2009

A RAIVA







Raiva é um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego sente-se ferido ou ameaçado. A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas. Joanna de Ângelis[1] aponta o desenvolvimento moral e psicológico do indivíduo como determinante na maneira como a raiva é exteriorizada.

A raiva também pode ser um sentimento passageiro ou prolongado(rancor).

Diferentes origens

A raiva pode ter diversas origens, tais como:

A inveja:
Uma pessoa pode sentir raiva de outra pelo fato desta ter algo que aquela gostaria para si, no entanto, como não possui recursos próprios para adquirir estes objetos de desejos, e pela sua imaturidade moral, passa a sentir raiva de quem os têm.
O ego:
Uma pessoa pode sentir raiva de uma outra pelo fato desta ter afrontado ou ridicularizado o seu ego. A raiva, neste caso, é uma tentativa de proteção ao impor-se uma postura agressiva diante da afronta.

O instinto de superioridade:
Uma pessoa que no seu íntimo tem a falsa percepção de superioridade em relação aos demais, quando se vê em uma situação em que não é compreendida ou aceita como gostaria que o fosse, utiliza-se da raiva como mecanismo de evasão dos seus instintos violentos, afligindo a todos que encontram-se ao seu lado.

A família:
Pode ocorrer quando os pais não dão a devida atenção aos filhos, desinteressando-se pelos problemas que venham a afligir a prole. Inconscientemente o indivíduo começa a ressentir-se, o que ao longo dos anos pode gerar raiva acumulada.

O trânsito:
Segundo Joanna de Ângelis (2005), é bem comum acidentes automobilísticos devido a "raiva malcontida" de motoristas que não se conformam em serem ultrapassados por outros carros, e ao invés de facilitar a ultrapassagem terminam expondo o outro automóvel a perigos que podem resultar num acidente.

Conseqüências
A raiva é como uma doença que vai corroendo de dentro para fora, e que causa diversos prejuízos físicos, mentais e espirituais para o próprio enfermo e para as pessoas que a este acompanham.

Como conseqüências da raiva podemos ter:

1 - A violência verbal.
2 - A violência física.


O Ódio:
Consiste numa ênfase de raiva, que geralmente dura mais tempo e acompanha um desejo contínuo de mal a alguém.

O comportamento agressivo:
O indivíduo assume uma postura contínua de mau humor e raiva, pode ter sua origem em pequenas frustrações que no decorrer da vida se acumulam, e que não foram superadas através de diálogos compreensivos e do perdão ao próximo e a si mesmo.
O perdão consiste em desistir de qualquer ressentimento quando se é, de alguma forma, prejudicado. Por isso existe quem considera o ato de perdoar como uma possível "cura" para a Raiva.

No corpo humano a raiva gera problemas no sistema nervoso central, disfunção das glândulas de secreção endócrina, distúrbios no aparelho digestivo e desequilíbrio psicológico

Para entendermos a nós mesmos é muito importante que aprendamos a escutar a vida dentro de nós, a acolher nossos sentimentos e a vê-los como parte integrante de nosso ser. Só quando percebermos o que somos e aceitarmos esta íntima descoberta é que, paradoxalmente, daremos lugar à mudança e ao crescimento.

E tal enfoque não exclui o sentimento da raiva que é um sentimento universal. A diferença ocorre na forma que cada um de nós lida com as emoções

A raiva é um sentimento natural à frustração e é a primeira resposta a uma perda. Depois vem a depressão, a elaboração e a organização do pensamento. Alguns entram rapidamente em depressão e em processo de tortura e sofrimento, o que só piora a situação.
As explosões não acontecem por acaso.
Pessoas em situações de estresse já estão frustradas. Qualquer outro fato contrário soa como uma agressão e é fácil perder a paciência. Sendo assim, é importante que estas pessoas trabalhem a frustração e tentem redimensionar as perdas, aceitando-as como inerentes ao processo da existência. O ideal é lembrar que tudo tem dois lados, tentando entender o que aquela perda significa e o que se pode aprender com a experiência.

Normalmente, o ataque de raiva começa com uma irritação diante de alguma situação desagradável. O coração acelera, as mãos começam a suar, os músculos ficam tensos e aí vem a explosão. Se isso acontecer com muita freqüência, a pessoa pode desenvolver problemas de saúde.

No corpo, um dos primeiros sinais é a dificuldade respiratória. Quando a pessoa não respira adequadamente, não oxigena as células cerebrais, o que estimula a tomada de decisões erradas.

A pressão arterial sobe e a pessoa pode ter problemas estomacais, como gastrite e até mesmo úlcera.

Sob um enfoque psicológico, a raiva comumente gera ataques de pânico, crises de ansiedade, depressão, desânimo e mágoa. É comum que o sentimento de raiva e suas manifestações tenham sido desencadeados, quando a pessoa se sente injustiçada, menosprezados e desrespeitados.

A raiva está no nosso dia-a-dia.
O importante é saber conviver com ela, "dando-lhe voz" para que expresse o que não queremos aceitar, o que não aceitamos perder e se estamos onde e com quem realmente desejamos estar. De nada resolverá sufocá-la, negá-la, aprisioná-la tal qual uma fera enjaulada, pois, mais cedo ou mais tarde, ela surgirá de uma forma desajeitada e prejudicial para nós mesmos e para o outro.

Raiva em excesso mata?

Sentimentos de raiva podem tornar vulneráveis os problemas cardíacos em até 10 vezes mais propensos a necessidade de tratamento para corrigir os seus batimentos cardíacos. A investigação resulta de estudos anteriores que demonstraram que terremotos, guerras contra o terror ou mesmo a perda de uma Copa Libertadores da América pode aumentar as taxas de morte por parada cardíaca súbita, em que o coração pára de bombear sangue. “É definitivamente foi demonstrado em todas as diferentes formas que, quando você colocar uma população inteira em um estressor que a morte súbita aumentará”, disse o Dr. Rachel Lampert da Yale University, em New Haven, Connecticut, cujo estudo aparece no jornal do American College de Cardiologia”. “ Nosso estudo começa a analisar como é que isto realmente afetar o sistema elétrico do coração.”

O humor realmente afeta muito o organismo das pessoas e os batimentos cardíacos mudam muito. Dr. Lampert e seus colegas da área da saúde estudaram 62 pacientes com doença cardíaca e coração desfibriladores implantáveis ou de dispositivos que permitem detectar ritmos ou arritmias cardíacas perigosas e emite um choque elétrico para restabelecer um batimento cardíaco normal. Os pacientes participaram de um exercício em que reconstituíram um episódio recente zangado enquanto Lampert da equipe realizada para medir a instabilidade elétrica do coração. Dependendo de como as mensagens são recebidas as pessoas ficam muito alteradas podendo passar muito mal.
Segundo Dr. Lampert “A raiva causa impacto realmente no coração e no sistema elétrico tão específico que podem levar à morte súbita.” Ela salientou que os resultados não implicam com os normais, corações saudáveis eram necessariamente em maior risco de uma parada cardíaca resultante de raiva.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Propósito de vida:







Não estamos aqui apenas a passeio, é importante lembrar quem somos e quais impactos causamos no universo.
Quais são as nossas crenças de vida, através delas é que tomamos atitudes.
Nossos objetivos nos inspiram a agir e a tornar nossos sonhos uma realidade e criar um significado de vida.
Ser polêmico pode nos apimentar e trazer esse diferencial que nos torna únicos, entretanto os riscos necessitam ser planejados.
Saber falar, mas saber calar.
A introspecção não é sinônimo de tristeza, muitas vezes um determinante para desenvolvermos autocontrole e reavaliarmos nossas metas para planejarmos nosso futuro, não perder tempo com o que não queremos, para que?
Procurar as respostas dentro de nós, no que desejamos e prestar atenção no que isso poderá interferir positivamente para a nossa vida.
Se uma meta é desafiante? Mãos a obra, defina seu plano de ação e tenha opções, se uma opção é limitada, duas criam um dilema e três nos permitem escolhas.
Os desafios são atraentes e permitir que nossos grandes paralisadores como o medo, muitas vezes crenças limitantes e tempo, não podem ser nosso inimigo, nos faça retroceder.
Viver é correr riscos diariamente. Portanto corra todos os riscos e VIVA...
Ser apaixonado pelo o que faz é um dos maiores passos e uma conquista para construirmos nosso destino.