psique e suas nuances

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Psicóloga Sônia Furlanetto: PANICO - vamos fazer um pararelo com as respostas dos animais

Psicóloga Sônia Furlanetto: PANICO - vamos fazer um pararelo com as respostas dos animais

PANICO - vamos fazer um pararelo com as respostas dos animais

Instinto na Idade de Razão
Os animais possuem uma variedade de respostas de orientação e defesa que lhes permitem responder automaticamente diante de situações potencialmente perigosas diferentes, de forma rápida e fluida. As sensações que envolvem fuga são profundamente diferentes daquelas de congelamento ou colapso.
Estou de acordo com Beck quando diz que o pânico e a ansiedade pós-traumática tem em comum "a experiência de medo com a percepção de inescapabilidade." Eu percebi com meus pacientes, e depois confirmei pela análise etologica dos comportamentos da presa do predador, que a experiência singular de ansiedade traumática de pânico que Beck menciona só acontece onde as respostas defensivas normalmente variadas e ativas foram mal-sucedidas, isso é, quando uma situação é perigosa e inevitável. A ansiedade, na forma de pânico patológico (algo distinto da ansiedade como sinal), representa o fracasso profundo das estruturas defensivas inatas do organismo em mobilizar o indivíduo permitindo que escape das situações ameaçadoras de forma ativa e bem sucedida.
Onde a fuga é possível, o organismo responde com um padrão ativo e positivo de resposta. Tem a experiência contínua de perigo, corrida, e fuga. Quando, em um estado ativado, a fuga é completada, não há ansiedade. Em lugar disso é experimentado um senso fluido de "competência biológica".
Onde os comportamentos defensivos são mal-sucedidos, a ansiedade é gerada. É quando as formas ativas de resposta defensiva são abortadas e incompletas que o estado de ansiedade aparece.
Sob a etiqueta monolítica de "ansiedade" se camuflou uma riqueza de sensações incompletas e identificáveis, de respostas somáticas e sentimentos corporais variados. Estas experiências do corpo representam a resposta do indivíduo moldada pela experiência passada, mas também pelo seu "potencial genético", na forma de respostas defensivas irrealizadas. O reconhecimento de que a orientação instintiva e os comportamentos defensivos são padrões motores organizados, quer dizer, atos motores preparados (condicionados de forma inata), ajuda a devolver o corpo à cabeça. A ansiedade deriva do fracasso em completar atos motores.
No final das contas, temos apenas um medo, o de não poder lidar com aquilo que nos assusta, o da nossa própria incapacidade de dar conta. Sem respostas ativas e defensivas disponíveis não podemos lidar efetivamente com perigo e, nessa medida, ficamos ansiosos.

O impulso de correr é experimentado como sentimento de perigo, enquanto a corrida bem sucedida é experimentada como fuga (e não ansiedade!).
A palavra fear vem do termo inglês arcaico para perigo, enquanto ansioso deriva da raiz grega ânsia, significando pressionar, apertado ou estrangular. Nossa fisiologia e psique são constritas precipitadamente na ansiedade. A resposta se restringe à fuga desesperada, o contra-ataque furioso, ou gelar-se e desmoronar.

Em resumo, quando a orientação normal e os recursos de fuga defensiva não conseguem solucionar a situação, a vida mantém o equilíbrio com a fuga não-dirigida, a fúria ou o colapso. Raiva e terror-pânico são estados emocionais secundários da ansiedade que são evocados quando os processos de orientação preparatória do perigo, sentimentos de orientação e preparação para fugir não são bem sucedidos, quando são bloqueados ou inibidos. Esta "contrariedade" resulta em congelamento e ansiedade-pânico.

Imobilidade e congelamento tônicos.
A ansiedade foi freqüentemente associada à fisiologia e experiência da fuga. A análise dos comportamentos de angústia em animais sugere que isto possa estar totalmente errado. A etologia (o estudo dos animais no seu ambiente natural) é contraria a visão da fuga como raiz da angústia-ansiedade. Quando atacado por uma chita nas planícies africanas, um antílope tentará primeiro escapar pela corrida orientada e dirigida. Porém, se o animal fugindo é encurralado de forma que a fuga é muito dificultada, poderá correr cegamente, sem uma orientação dirigida, ou tentar lutar de modo selvagem e desesperado contra as enormes desvantagens. No momento de contato físico, freqüentemente antes de o dano ser infligido de fato, o antílope parece morrer abruptamente. Não só parece morto, mas sua fisiologia autonômica sofre uma extensa alteração e reorganização. O antílope está na realidade altamente ativado interiormente, embora o movimento externo seja quase inexistente. Animais de presa são imobilizados dentro um contínuo (cataléptico-catatônico) padrão sustentado de atividade neuromuscular e alta atividade autonômica e de onda cerebral. As respostas simpática e parassimpática também são ativadas simultaneamente, como um freio e um acelerador, trabalhando uma contra a outra.
Na imobilidade tônica, um animal está ou no endurecimento congelado pela alta contração dos grupos musculares agonistas e antagonistas, ou num estado muscular continuamente equilibrado, hipnótico, que é chamado "flexibilidade ondulada." Neste estado as posições do corpo podem ser moldadas como no barro, como é visto em esquizofrênicos catatônicos. Também há um entorpecimento analgésico.
Neste estado o paciente pode descrever muitos de estes comportamentos tal como lhe acontecem. Porém, ele não está ciente das sensações físicas e sim do seu julgamento crítico autodepreciativo a respeito das sensações. É como se fosse necessário achar alguma explicação para as forças profundamente desorganizadoras que estão por baixo da própria inadequação percebida. O psicólogo Paul G. Zimbardo chegou a propor que a maioria das doenças mentais não representam um prejuízo cognitivo, mas uma (tentativa de) interpretação dos estados internos descontínuos ou “inexplicáveis”. A imobilidade tônica, a raiva assassina, e a fuga não dirigida são exemplo desses estados.

A imobilidade tônica demonstra que a ansiedade pode tanto autoprotetora como autodebilitante.
Luta, fuga e imobilidade são respostas adaptativas.
Quando a resposta de luta ou fuga é apropriada, congelar será relativamente maladaptativo. Quando congelar é apropriado, tentar fugir ou lutar pode ser maladaptativo. Biologicamente, a imobilidade é uma estratégia adaptativa potente quando a fuga ativa é impedida. Porém, quando se torna um padrão de resposta preferido em geral nas situações de ativação, é profundamente debilitante. A imobilidade é a experiência incapacitante e cristalizada da ansiedade e do pânico traumático. Porém, por baixo da resposta congelada estão a luta ou a fuga, e outras preparações de defesa e orientação que estavam ativadas antes do congelamento. Desmontar a ansiedade é possível na medida em que se restabelecem as respostas ocultas de luta ou fuga, e as outras respostas ativas de defesa que acontecem precisamente no momento antes da fuga ser impedida.

A chave no tratamento das reações de ansiedade e estresse pós-traumático é a princípio bastante simples: desacoplar a resposta de congelamento, normalmente aguda e limitada no tempo, da reativação de medo. Isto é realizado restabelecendo as respostas defensivas e de orientação pré-traumáticas progressivamente, as respostas que estavam em execução justo antes do inicio da imobilidade.
Na prática há muitas estratégias que podem ser utilizadas para realizar isto. O que as unifica é que elas são todas usadas na intenção de desestruturar a resposta de ansiedade restabelecendo recursos defensivos e de orientação. As necessidades e recursos de cada indivíduo estimulam uma solução única, criativa e adaptativa.



Sinergia que ativa o pânico:

• Os teóricos cognitivos acreditam que a distorção na avaliação cognitiva da situação e um elemento determinante nas reações de ansiedade.

• Para eles, a ansiedade é um sinal de perigo, que ativa os comportamentos defensivos necessários. Visão de cima para baixo, a cabeça decide o comportamento.)

• Soluções biológicas para O organismo responde de forma
situações de perigo imediata, precisa e diferenciada.

• A percepção do perigo e a avaliação da própria capacidade de responder são processos inconscientes.

• Os comportamentos defensivos são padrões motores organizados, atos motores preparados.

• Luta ou fuga resposta ativa senso de competência biológica
Impulso de correr..............experimentado como medo.
Corrida bem sucedida.........experimentado como fuga.

• Defesa impossível
 congelamento temporário (ativação simultânea dos ramos simpático e parassimpático).
 congelamento permanente. Ansiedade (respostas incompletas ou abortadas).

• Ansiedade
atividade desorganizada de fuga não dirigida.
atividade desorganizada de contra-ataque furioso.
congelamento (ativação simpática e parassimpática simultânea,
entorpecimento analgésico, endurecimento ou flexibilidade ondulada)

• Em estado de ansiedade não há consciência das sensações, mas do juízo crítico a respeito delas: tentativa de encontrar sentido no estado interno descontinuo, desorganizado e inexplicável.

• Proposta terapêutica: desacoplar o congelamento da ativação. Por baixo do congelamento estão a luta, a fuga e as outras respostas de orientação defensivas que estavam em execução antes de congelar.