psique e suas nuances

psique e suas nuances

sexta-feira, 24 de abril de 2009

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VEJA A SEMELHANÇA

Veja a semelhança entre Ministro do Tribunal Superior de Justiça e o ator da dança do vazamento...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

MENARCA E CRESCIMENTO



Depois de ouvir algumas afirmações na TV DIÁRIO de Mogi das Cruzes de profissionais da área da saúde, decidi colocar alguns estudos desenvolvidos por profissionais da área da medicina e psicologia especializados em sexualidade humana e gráficos de alguns estudos.
Para quem assistiu ao programa:

RESUMO

Embora a menarca seja um fenômeno tardio dentro do processo pube-ral, muitos pais percebem, só neste momento, que suas filhas não são mais crianças.Os pediatras são procurados nessa ocasião para esclarecer certas dúvidas e tranqüilizá-los. Com certa freqüência, indagam sobre o potencial de crescimento da menina e pedem que seja estimada sua estatura final. A literatura a respeito do crescimento pós-menarca é escassa, talvez devido às próprias características da adolescência que, por envolver inúmeras variáveis, dificulta a interpretação dos resultados.



Esta revisão bibliográfica tem como objetivo focalizar alguns aspectos relacionados ao crescimento, que auxiliem o médico ao oferecer um prognóstico um pouco mais preciso do que médias populacionais, para a adolescente que o questiona a respeito, considerando-se que ela já tenha menstruado. Não existe correlação entre a idade em que o pico de velocidade de crescimento ocorre e a estatura final. Na menarca, a adolescente já alcançou 95,5%da estatura final. Por mais 3 ou 4,8 anos, incrementos progressivamente menores irão ocorrer.As meninas que maturam mais cedo (menstruando antes da idade mediana de 12,6 anos para a ocorrência da menarca) provavelmente crescerão mais do que a média de 6 ou 7cm, e por mais tempo, do que as que maturam mais tarde, até atingirem sua estatura final.

Crescimento Pós-Menarca
Silvia D. Castilho Antônio A. Barras Filho
Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP. Recebido em 17/08/99

Obs:

No estirão da adolescencia a impressão é que elas estão crescendo rápido demais e os motivos associados à chegada da puberdade têm se tornado cada vez mais abrangentes. Associados à genética, ao clima e à alimentação, eles também passaram a incluir os relacionamentos familiares. Em especial, a relação com o pai.
Estudos divulgados ao longo dos últimos anos têm analisado de que forma a ausência do pai pode fazer com que a filha amadureça sexualmente mais cedo -uma idéia inquietante numa época em que as separações são cada vez mais comuns e que ainda não encontra consenso entre especialistas.
Um dos pioneiros nessa avaliação é o sociólogo Jay Belsky, diretor do instituto para o estudo de crianças, famílias e questões sociais, do Birbeck College, da University of London. Em sua teoria da aceleração psicossocial, Belsky defende que as meninas que não convivem com o pai ou que enfrentam muito estresse familiar amadurecem mais cedo.

Aspectos já constatados e geralmente aceitos são a herança genética e o efeito do clima sobre o desenvolvimento sexual: crianças de países quentes chegam à puberdade antes de crianças de países frios. Ainda não se sabe, porém, de que forma a temperatura ambiente promove essa mudança no organismo.
Quanto ao papel dos genes, Latronico afirma que, em gêmeas, por exemplo, a idade da primeira menstruação geralmente é a mesma. Além disso, são comuns também os casos em que as filhas têm a menarca na mesma idade em que suas mães tiveram.
Latronico pesquisa um grupo de jovens com puberdade precoce sob o enfoque genético, com análise de DNA. "Provavelmente o peso dos genes é grande nos casos de puberdade precoce familial, que correspondem a 12% do total", diz a endocrinologista, referindo-se a famílias em que mais de uma pessoa enfrentou o problema.

Precoce ou não, a chegada da menarca costuma despertar dúvidas e preocupações em todas as meninas e ser acompanhada por uma série de mitos, sendo um dos principais o medo de "parar de crescer" (ver quadro ao lado).
Victória Corban, 12, que menstruou no ano passado ("no Dia das Crianças", ressalta), ri ao falar de sua primeira reação. "Mostrei para a minha mãe e ela disse que eu tinha menstruado. Fiquei assustada e falei: "Ferrou pro meu lado". Tive vergonha de contar para o meu pai, aí liguei para minha madrasta", lembra.
Isabela Laranja, 12, não só teve que telefonar para toda a família como ganhou presentes de parentes: um colar, um "kit menstruação" e dinheiro para comprar roupas novas.
"Eu não queria ter menstruado, mas fui no ginecologista e fiquei aliviada, porque ele disse que veio tudo na hora certa."






Introdução:

Palavra adolescência, no dicionário Aurélio, é encontrada com dois sentidos para esse substantivo feminino. O primeiro o define como o período da vida humana entre a puberdade e a virilidade dos 14 aos 25anos (uma definição impregnada de machismo como se pode ver, uma vez que a palavra virilidade refere-se somente ao homem). O segundo sentido, com cunho psicológico, diz que é o período que se estende da terceira infância até a idade adulta, caracterizado psicologicamente por intensos processos conflituosos e persistentes esforços de auto-afirmação, correspondendo à fase de absorção dos valores sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social. Para Myrae LOPES (1954), nas línguas neolatinas admite-se geralmente que a adolescência, do latim adolescei que significa crescer, é um breve espaço de tempo entre a segunda infância e os primórdios da vida adulta. Observar-se-iam, a par de transformações anatômicas e psicológicas, alterações de conduta e mudanças morfológicas sensíveis. Ressalta o autor que à medida que a psicologia foi evoluindo, a duração desse período foi sendo aumentada até compreender grande parte da juventude. De modo geral, considerar-se-ia como próprios dessa fase evolutiva os seguintes fatos: alteração do esquema corporal e a obrigação de um novo ajustamento a que isso obriga, alteração dos sentimentos vitais com perda da base sinestésica referencial e deslocamento na estabilidade do eu, erotização do campo da consciência e necessidade de achar o “complemento”, fixar a libido em objeto concreto, busca ansiosa do mistério da vida e morte, com preocupação crescente no futuro, liberação de tutelas, independência do ambiente familiar e finalmente,fixação do papel social a representar.Com relação à puberdade, esta palavra vem de pubes, latim que tem sentido próprio de pêlo, daí cobrir-se de pêlos, de flores, de lanugem, brotar, crescer etc.BLOS(1979, 1994) usa o termo puberdade para indicar as manifestações físicas da maturação sexual. A pré-puberdade seria o período que precede






Imediatamente o desenvolvimento dos caracteres sexuais primários e secundários. A palavra adolescência seria então usada para indicar os processos psicológicos de adaptação à condição de pubescência. Retrospectivamente, o período de latência caracterizar-se-ia mais pela falta de novos objetos sexuais que pela falta de atividade sexual. O desenvolvimento bifásico da sexualidade humana foi descrito por FREUD (1905) em seu trabalho“Três ensaios sobre a sexualidade”, onde, pela primeira vez em psicanálise, foram apresentados os achados da adolescência como um prolongamento, continuação da infância, e essa situação bifásica representaria uma condição singularmente humana.É comum na clínica verificar que a adolescência não é apenas o período de trabalho emocional; com freqüência verifica-se que, apesar dele, propicia este período cura espontânea de influências patogênicas infantis, oferece ao indivíduo a oportunidade de modificar ou retificar exigências infantis que ameaçavam seu desenvolvimento progressivo.A adolescência foi chamada de segunda edição da infância e os dois períodos têm em comum o fato deque um Id relativamente forte enfrenta um Ego relativamente fraco. Com relação à infância, a adolescência mostra uma necessidade de manutenção dos jogos, não mais os jogos infantis, mas sim o “jogo sério” ou os esportes que ajudam a combater a angústia própria da crise da fase. Pode ser vista como uma fase transicional de perturbações dos mundos psicológicos estáveis da infância e da idade adulta. Ana FREUD (1958) assinala as alterações dos instintos, a organização do eu, as relações objetais e os papéis sociais que caracterizam esse período e dão lugar ao processo que leva desde o equilíbrio psicossocial da infância dentro de seu grupo familiar, passando por uma inevitável etapa de transtornos do desenvolvimento, até a independência adulta. Em que pese à importância e as mudanças que acarretam as freqüentes crises na adolescência não devem ser vistas como distúrbios indesejáveis, mas sim como fenômenos necessários para ensaios e erros, para a busca de um novo sentido da personalidade e seu papel social. A imagem corporal é núcleo da identidade do eu, havendo repercussões psicossociais nesse período de mudanças físicas, no cotidiano do adolescente. Na prática não é fácil estabelecer um limite preciso para o inicio da adolescência, mas esta estaria entre algum momento dos onze aos quatorze, quando tal transformação se passa. Se for difícil usar um critério cronológico para determinar fases da idade, sugere-se usar um critério funcional, de maior utilidade na clínica.






Quem funciona sistematicamente como um adolescente, em qualquer idade, será um adolescente. Seja uma criança precoce, de 8 anos (um menino de rua), ou um adulto de 40 anos (adulto ainda dependente dos pais ou do cônjuge). São exemplos de adolescências expandidas tanto para baixo, como para cima. Em ambos os casos a adolescência será prolongada. Percebe-se que na infância há uma fase de maturação infantil, em que essa criança considerada exibe em geral uma estrutura psíquica coerente. Com relação às fases das quais se compõe a adolescência, são elas de definição cronológica difícil e é útil uma divisão para melhor compreensão clínica. Na pré-adolescência não há estirões, o crescimento em altura é constante. Na primeira fase da adolescência propriamente dita, começa o desenvolvimento das características sexuais. Na fase média, o pêlo púbico pigmentado se desenvolve, assim como crescem os órgãos sexuais; há aceleração máxima do crescimento físico, menarca, mudança de voz, ejaculação com infertilidade. Na última fase a voz se torna grave e aparece a ejaculação com espermatozóides móveis e férteis nos rapazes, e nas moças a ovulação. Como comportamentos individuais nas fases da adolescência, qualquer um que tenha contato com eles pode observar: inquietude física, menor capacidade de concentração, crescente ambivalência frente aos objetos amorosos, tiques, rituais, mania de colecionar, regresso a crenças anteriores acerca de sexo apesar da informação sexual adquirida, regressão a fases libidinais anteriores, avaliação pré-genital do sexo oposto, evitação de contato físico com os pais etc. Como comportamentos grupais geralmente são encontrados: conflito entre a lealdade aos pais e ao grupo adolescente, desafios a normas de linguagem, higiene e saúde, gosto por riscos, evitação dos pais ou substitutos tais como professores, lealdade aos pares, busca de segurança em grupos, ver o sexo oposto como troféu e não considerá-lo em termos de relações interpessoais, evitarem toda ajuda de adultos, baixo prestígio da comunicação verbal com adultos. Há uma margem de manobra que toda sociedade tem que permitir aos jovens, para que experimentem com a vida sem temor a compromissos e conseqüências, com o intuito de adquirir as capacidades e características que necessitarão quando adultos para descobrir o seu lugar social. Isso foi denominado de “Moratória” porERICKSON(1946).Para romper a dependência, que o adolescente vivencia com desejos de retornar à antiga e segura posição infantil, sucede freqüentemente o menosprezo aos pais e, não raro, surge um clima de desdém mútuo.Deve-se levar em conta a crise de meia idade dos pais e a tarefa de aceitar a sexualidade dos filhos numa



Época em que resulta difícil aceitar seu próprio declínio. Torna-se necessário estabelecerem os pais limites coerentes, com os quais os adolescentes possam lutar em seus esforços para romper a dependência. Se esses limites faltam, o adolescente se sente esquecido e não querido. Por mais que se rebele contra os pais, continuam a vê-los como modelos basicamente valorizados e a construção de suas identidades será consideravelmente influenciada por isso. Para os jovens que não querem ou não podem seguir os estudos superiores, não é fornecida, a não serem raríssimas exceções, uma transição que favoreça a inserção desses adolescentes no mercado de trabalho.Sem se falar no estreitamento desse mesmo mercado em nível mundial. A implicação da adaptação ao trabalho é muito grande no desenvolvimento da identidade do adolescente. Por outro lado, o fracasso no trabalho pode muito bem ser secundário a problemas com os pais, logo, a ação solidária e atenta destes é de fundamental importância. Rouanet e o irracionalismo A condição denominada adolescência prolongada, cada vez mais freqüente nos consultórios, na crônica social e na literatura científica, motivou até a revisão de um trabalho de ROUANET(1992) sobre um novo irracionalismo brasileiro. As origens desse irracionalismo fundar-se-iam em duas principais influências, as externas e as internas. Com relação às primeiras seriam importantes a contracultura americana dos anos 70e sua variedade teórica com sintonia em certos pensamentos europeus. Os fatores internos seriam igualmente importantes sendo o principal a política educacional do regime autoritário, com uma extirpação metódica por cerca de vinte anos de todos os valores humaníssimos e idéias gerais, resultando numa geração de egressos que transformam seu não saber em norma de vida por absoluta ignorância. Segundo ROUANET, o irracionalismo só raramente se auto tematiza, resultando que essas pessoas não têm um discurso irracionalista e sim atitudes irracionalistas. O irracionalismo seria oportunista e parasitário, capturando tendências em voga que em si nada têm de irracionais. Trazendo para o primeiro plano as influências políticas e econômicas, diz o autor que o modelo brasileiro dos último anos levou à emergência de um estado de espírito anti autoritário, estado de espírito esse legítimo; assim como a emergência de posições anti colonial e anti elitista. A partir dessas tendências poder-se-ia construir uma sociedade melhor, se fundada na razão. Isso não ocorreu, essas tendências se transformaram em presas fáceis do irracionalismo. Com relação ao anti autoritarismo, o irracionalismo se manifestaria na recusa do esforço de teorização,isso faria a atitude anti autoritária perder a bússola e condenar-se à prática cega, ensaio e erro. No que refere ao anti colonialismo, haveria uma rejeição a uma cultura autêntica, haveria uma orientação xenófoba. Essa cultura, brasileira ou não, sempre funcionaria como fator crítico e de reflexão, instrumento de autotransformação e de transformação do mundo. Contaminado pelo irracionalismo o anti elitismo produziria efeito de desqualificar a cultura superior, não havendo então, uma busca para o estudo nem uma denunciado monopólio da cultura.O irracionalismo agiria na disjunção entre a prática e o saber, mas operaria também no interior do próprio saber. Como exemplo, ROUANET traz a postura lingüística de separatismo entre as normas lusitanas e brasileiras, quando as semelhanças entre essas predominam de modo esmagador sobre as diferenças. Coloca ainda outro exemplo por ele considerado como ideologicamente cego, a valorização do falar popular, valorização essa que conduz pensamentos restritos, estruturas de pensamento arcaicas, concretas, auto centradas, pois partiria de um sistema de comunicação restrito. No que tange à psicanálise, ROUANET vê em FREUD um racionalista inflexível; e que este foi além do iluminismo, pois enquanto antes se dizia que o homem nascia racional e ficava indefeso diante da desrazão por desconhecer os limites da razão,FREUD descobriu esses limites e com isso armou o homem para a conquista da razão.Segundo FREUD(1930), civilização só é obtida por meio de repressão. Para a convivência em grupo todos teriam que abrir mão de inclinações e desejos determinados em prol do bem comum. Isto traz desconforto e demanda um dispêndio energético, do ponto de vista econômico, mas é o meio para o homem cumprir seu papel social.




A psicanálise e a adolescência O estudo psicanalítico da adolescência começa com FREUD. Em seu trabalho de 1905, “Três ensaios sobre a sexualidade”, realçou as importantes fases da sexualidade infantil, até então negadas pelo meio científico, e também o que ocorria no jovem, no período intermediário entre a infância e a vida adulta. No vocabulário científico usa-se o termo libido como correspondente à fome para designar a necessidade sexual. A concepção anterior a FREUD era que essa libido estaria ausente na infância e se instalaria na puberdade. Tal afirmação carece hoje de fundamento. O que ocorre é uma sexualidade em dois estágios, um na infância e o outro após a puberdade com uma fase de relativa tranqüilidade intermediária, o chamado período de latência. Essa situação quiescente é perturbada com as mudanças que ocorrem na chegada da puberdade,destinadas a dar à vida sexual infantil sua forma final .O instinto sexual que até então fora predominantemente auto-erótico, encontra agora um objetivo sexual. Todos os instintos parciais se combinam para atingir o novo objetivo sexual sob a primazia da zona genital. Ocorre confluência da corrente afetiva e da sensual e o instinto sexual está agora subordinado a sua função reprodutora, tornando-se assim altruístico. De acordo com JONES(1922), o indivíduo recapitula e expande no segundo decênio de sua vida todo o desenvolvimento que ele passou durante os cinco primeiros anos de vida. Ana FREUD (1958) estudou e ampliou o tópico, fazendo um levantamento histórico sobre o assunto até a década de cinqüenta de muita importância. Ela mencionou o uso por Bernfeld do termo adolescência prolongada, usado para descrever um tipo especial de jovem do sexo masculino cujo período de adolescência se expande além do limite normal de tempo. O adolescente está destacando sua libido dos antigos objetos e buscando novos, certo luto por esses objetos do passado é inevitável. Na adolescência como no enamoramento ou ainda no luto, grande parte da libido está voltada para o objeto do presente ou do recente passado e há insuficiente libido disponível para se ligar à figura do analista e atualizar material pela transferência. Isso deveria ser levado em conta por todo aquele que trata de adolescentes, pois há necessidade de certa modificação da técnica clássica de psicanálise. Ana FREUD salientou tipos de defesa contra os vínculos objetais e contra os instintos. Com referência aos primeiros citou o deslocamento da libido, a inversão dos afetos, a retirada da libido para a própria pessoa e a regressão. Com relação aos segundos citou o ascetismo, a intelectualização e as defesas maníacas entre estas a onipotência, o triunfo e o desprezo. DEUTSCHE (1944) marcou a importância da mudança de valores sociais e culturais influindo de diversas formas na adolescência. Ressaltou que na sua atualidade os adolescentes não mais teriam um conceito de identidade e maturidade adultas, descobrem que isto se torna obscurecido uma vez que os próprios pais freqüentemente estão envolvidos com sua própria adolescência ainda incompleta. Citou ainda que a precocidade na iniciação sexual pudesse trazer dificuldades à capacidade de sublimação do adolescente. Para BENEDEK(1983), a condição de pais é um estágio de desenvolvimento e muito dos genitores dos adolescentes de hoje não o atingem. Adolescentes da cultura atual, menos autoritária, tenderiam uma vez passada a rebelião do processo adolescente a ter uma atitude para com seus filhos de dúvidas e insegurança sobre o papel parental. Essa geração seguinte seria criada por genitores menos seguros que perseguiriam metas menos estáveis em um mundo em mutação. Para a autora, a parentalidade, como uma experiência biopsicológica, ativaria e alimentaria um processo de desenvolvimento no genitor. É uma fase de desenvolvimento a que muitos evitariam chegar. JACOBSON (1954) afirma que os adolescentes apresentariam mais resistências à análise que os adultos e esses geralmente não reviveriam as reações emocionais correspondentes ao período adolescente apesar de produzirem abundante material mnêmico. Definiu a adolescência como o período entre a triste despedida da infância do self e dos objetos do passado e uma gradual e ansiosa passagem de barreiras através do caminho que leva ao desconhecido campo da vida adulta. Observou a autora que as primeiras ejaculações e a menarca seriam freqüentemente vistas como desconcertantes pelos adolescentes, principalmente pela sensação de não terem mais controle sobre seu próprio corpo. Para WINNICOTT(1975, 1988) haveria importância em uma série de fatores, tais como:desenvolvimento emocional do indivíduo, papel dos pais, a família como um processo natural em função das necessidades da infância, as escolas como extensões da vida familiar, o papel da família em sua relação comas necessidades do adolescente, a imaturidade do adolescente, a consecução gradativa da maturidade neste, a consecução pelo indivíduo de uma identificação com grupamentos sociais e com a sociedade, a estrutura da




Sociedade, as abstrações da política, economia, filosofia, cultura, o mundo como superposição de inúmeros padrões individuais. Com relação à idéia da dependência, o indivíduo passaria gradativa e ordenadamente da dependência absoluta original para a independência relativa; a independência não se tornaria nunca absoluta. As pessoas psicologicamente sadias dependeriam para sua saúde e realização pessoal da lealdade a uma determinada área da sociedade. Com relação às fantasias, narrou WINNICOTT que, se na fantasia primitiva haveria a morte, na adolescência apareceria o assassinato. Crescer significaria ocupar o lugar do genitor, na fantasia inconsciente crescer seria mentalmente um ato agressivo. Abusar de drogas pode significar adaptar-se a essas obrigações, ou delas fugir, atenuando a realidade sob o efeito da droga psicoativa. A droga aliviaria a tensão do inconsciente sobre um ego omisso ou ainda mal estruturado para as funções que dele se espera naquela idade. Com relação ainda a esse crescer, o adolescente seria dogmaticamente imaturo e essa imaturidade seria um elemento essencial para a saúde na adolescência; só haveria uma cura para a imaturidade e esta seria a passagem do tempo. A sociedade precisaria ser abalada pelas aspirações daqueles que não são responsáveis. Enquanto o desenvolvimento se encontrasse em progresso as responsabilidades teriam que ser assumidas pelas figuras parentais. GELEERD(1957) chamou a atenção para as diferenças consideráveis na estrutura da personalidade entre adolescentes das diversas fases, mostrando que a fronteira entre essas seria de difícil demarcação. Antes de se fazer qualquer discussão sobre a adolescência dever-se-ia observar em que período estaria esse adolescente considerado. Ainda para MAHLER (1975), a individuação seria um processo em aberto e isso possibilitaria mudanças. Mudanças tais como, por exemplo, o efeito terapêutico da psicanálise. A quarta e última subfase de separação e individuação que os estudos da autora sistematizaram seria diferente das outras três subfases, principalmente por manter em aberto seu final. Adolescência prolongada RITVO(1971) chama atenção para a fase final da adolescência, quando a última e grande integração e estruturação da personalidade toma lugar. A duração e o estilo da adolescência é muito influenciada por fatores sociais e culturais mais que qualquer outro período de desenvolvimento na vida do indivíduo. O início pode ser determinado pela biologia, pela cultura, pelas questões políticas e econômicas, mas pode ser continuado e prolongado pelas condições da sociedade e pela estrutura familiar. Na fase final da adolescência há uma organização estável das funções do ego, uma extensão da esfera livre de conflitos desse ego até a autonomia secundária, uma identificação sexual irreversível, uma constância objetal e uma estabilização do aparelho mental. JACOBSON (1954) coloca grande valor nas mudanças do ego e nas identificações do superego adolescente. Na adolescência final haveria um incremento de poder do ego que lhe daria um acréscimo de influência no Id e superego. O ego adquiriria um papel de mediador ativo, para isso seria fundamental o papel da formação do ego ideal. A crise da adolescência final apareceria quando houvesse um malogro para resolver os efeitos da neurose infantil e outros distúrbios prévios de desenvolvimento que embaraçariam o estabelecimento de relações objetais. O indivíduo em crise responderia intrapsiquicamente aos conflitos com os atalhos preparados por sua história de vida anterior. Isso seria relativamente válido de geração para geração e o que mudaria seriam as condições que a pessoa teria em mãos no seu período histórico. A expressão “adolescência prolongada” foi introduzida por Bernfeld em 1923 e seu objeto de investigação na época era a adolescência masculina prolongada como fenômeno social observada nos movimentos europeus de juventude após a primeira guerra. Havia nesses grupos uma predileção pela intelectualização e repressão sexual, retardando com isso a consolidação do conflito adolescente. Este termo com o tempo passou a ter uma conotação mais amplo sendo hoje um termo descritivo e coletivo que compreende condições de constelações dinâmicas heterogêneas. O termo refere uma perseveração na posição adolescente, a qual, em circunstâncias normais, tem um tempo limitado e uma natureza transitória. Uma fase de amadurecimento, que deveria ficar para trás depois de realizada sua tarefa, torna-se um meio de vida. Essa adolescente luta para contornar a finalidade das escolhas que são feitas ao final da adolescência; o processo de adolescer não é abandonado, mas mantido em aberto.



Adolescentes têm, em geral, uma inabilidade para ficar sós e essa inabilidade os força a unir-se em grupos. As companhias socorrem-nos dos devaneios e das preocupações auto-eróticas. A amizade com outros rapazes é transitória e instável e um envolvimento homossexual é uma ameaça constante. Têm prazer nas relações sexuais, mas essas, se melhor examinadas, se mostram do tipo de prazeres preliminares. As moças são procuradas como um desafio adequado ao apego incestuoso do parceiro seja por parecer ou diferir de membro significativo da família. Há nesses adolescentes uma constelação infantil típica, foram considerados pelos pais, mais enfaticamente pela mãe, como destinados a grandes coisas na vida. A adolescência prolongada evita uma cri seque deve terminar com a compreensão de que o mundo fora da família não reconhece o papel que a criança tentou desempenhar nas duas primeiras décadas de vida. Quando tentam romper esses laços, percebem que ta latitude é acompanhada de um empobrecimento narcísico que não são capazes de tolerar. O senso de tempo dos adolescentes é então afetado pela substituição constante do futuro pelo passado. Se por um lado têm resistência à pressão regressiva, por outro lado persistem em evitar qualquer consolidação do processo adolescente. Como aceitavam placidamente a posição exaltada em que eram colocados, desenvolveram uma auto-suficiência submissa. Sentiam-se bem na presença feminina e constrangidos e receosos nos seus contatos com homens. Há uma falha na organização hierárquica dos instintos e das funções do ego. O processo adolescente pode ser considerado fechado quando uma organização hierárquica e relativamente inflexível de instintos pré-genitais e genitais é alcançada e quando as funções do ego adquirem uma significativa resistência à regressão. Ocorre então o desenvolvimento de uma autonomia secundária do ego. Quando o conflito da bissexualidade, que faz parte do desenvolvimento normal, pressiona por uma solução final na adolescência propriamente dita, este adolescente o contorna pela preservação na posição bissexual. Na adolescência prolongada se encontra a paradoxal figura em que não há conflito com o qual negociar porque nenhum conflito é experienciado. Esses adolescentes têm que ser ajudados a alcançar o conflito adolescente propriamente dito antes que a fase de consolidação da adolescência terminal chegue. A incapacidade de abandonar posições infantis, juntamente com o desejo de independência e auto-afirmação fora dos limites da família combina-se para fazer do prolongamento da adolescência a única solução. Solução essa, protetora contra duas alternativas: a regressão e o rompimento com a realidade, a solução psicótica; ou a repressão e formação de sintomas, a solução neurótica. Pode-se dizer que a estrutura da adolescência prolongada é similar a de uma desordem de caráter. Em ambos os casos as restrições do ego não são vivenciadas como distônicas; porém não há a rigidez própria de uma desordem do caráter, já que, de modo geral, há acessibilidade a medidas terapêuticas. Para REICH(1927) o caráter consiste em assumir uma mudança crônica do ego que poderia ser descrita como um endurecimento com finalidades protetoras, podendo levar a restrição da mobilidade psíquica. Essa blindagem é mitigada por relações que o autor chama de não caraterológicas. Há um período determinado para a adolescência prolongada; seu limite se daria a partir da metade da década dos vinte anos quando teria de se submeter a um esquema mais organizado e mais rígido. O distúrbio de caráter narcísico seria o que melhor descreveria a tendência geral do desenvolvimento patológico que a adolescência prolongada poderia acabar por assumir. O que leva esses jovens a procurar ajuda terapêutica são as frustrações narcísicas devidas a desapontamentos ou fracassos na educação, vocação, atividades sociais, ou, mais forte ainda, nos fracassos amorosos. O que torna mais difícil o aborde terapêutico é a perda da plasticidade do adolescente. Na delinqüência ocorre um uso preponderante de soluções aloplásticas, ou seja, voltadas para o exterior. Na neurose há soluções autoplásticas, ou seja, voltadas para o mundo interno. Na psicose ocorrem soluções autísticas de adaptação. Para finalizar, cita-se Helene DEUTSCH (1944), que disse que havia homens que permaneceriam na adolescência até a idade avançada e seu climatério não seria realmente uma revivescência e sim um reforçamento da continuação duradoura de sua adolescência. Conclusão Há, na sociedade brasileira atual, uma onda de irracionalismo, onda essa que tenta colocar em segundo plano o primado da razão, as contribuições científicas (tão duramente conquistadas), num aparente clima de mudança estrutural. Essa onda se encontra disseminada por diversas áreas, com os disfarces já vistos de



Anti autoritarismo, anti colonialismo e um pretenso anti elitismo. Segundo ROUANET (1992), esse clima seria passageiro na medida em que a sociedade buscasse iniciar a substituição da anti-razão pela razão. A tendência observada na sociedade brasileira do prolongamento do período adolescente não pode ser estudada apenas pela visão psicológica. Evidentemente o apoio de outras áreas do conhecimento humano se faz necessário. Em face de formação profissional e interesse pessoal dos autores deste artigo, destinou-se uma maior consideração a fatores psíquicos em detrimento, por exemplo, dos sociais, que nesse trabalho tiveram um relevo menor do que realmente possuem. Uma pessoa busca tratamento psicanalítico quando seus sintomas se tornam ego distônicas ou quando não lhes é possível suportar a lentificação ou a paralisação do seu desenvolvimento emocional, cultural, intelectual, laborativo, etc. No consultório, se, por um lado, os pacientes reproduzem conflitos da esfera infantil, os quais se busca resolver na situação analítica principalmente pela transferência; por outro lado, é constatado um aumento de atuações reveladoras de uma fixação à adolescência. Verifica-se uma obstinada recusa em passar para outra etapa da vida. No que se referem à parentalidade, esses pacientes adultos relutam em assumir essa nova etapa do desenvolvimento. Possuem capacidade física para procriar, capacidade econômica para manter um filho só não mostra capacidade psicológica em se desenvolver. Há o caso de um paciente que conseguia levar uma vida, em paralelo, de surfista, com uma “patota”em média vinte anos mais nova que ele. O que o levou realmente a se tratar foi à dificuldade experimentada quando por ocasião do nascimento de seu primeiro filho, nascimento indesejável para o paciente na época. Esse paciente conseguia manter um desempenho profissional excelente, porém, quando nos procurou essa área não conflitada da sua personalidade já estava comprometida.Houve por parte de sua mulher e parentes próximos uma certa cumplicidade com as atuações adolescentes desse paciente, até que tal atitude não pôde mais ser mantida.Outro paciente já na quarta década de vida vestia-se com bermudões, camisas de clubes americanos de basquete, portava geralmente boné sempre com a aba voltada para trás etc. Tal maneira de vestir era totalmente inadequada a sua ocupação. Esse paciente pôde observar posteriormente como essa maneira de trajar lhe trazia dificuldades em sua empresa de trabalho. Um paciente usava freqüentemente, a título de resistência ao tratamento, o jargão e a gíria adolescente de tal modo que tornava necessária a sua ajuda para “traduzir” seu relato. Esse paciente não freqüentava grupos de adolescentes, mas sim um grupo de adultos com comportamentos semelhantes aos seus. O número de pessoas com as características acima descritas veio a se mostrar maior do que se imaginavam quando se passou a prestar-lhes maior atenção. Refletir e dentro do possível esclarecer os fatores causais é o primeiro estágio, a primeira ação dentro de um todo que vise mudanças qualitativas. Deve-se levar em conta que um número grande de fatores está sempre influenciando a cena social, como, por exemplo, o decréscimo de religiosidade, a preocupação muito importante com problemas financeiros e eventos políticos, a desvalorização daqueles que se impõem serem objetos de identificação bem sucedida, contrastes chocantes na distribuição econômica, grande ênfase na riqueza e no sucesso, por um lado, e, por outro, a exclusão de muitos na participação num e noutro etc. As mudanças no mundo exterior são secundárias à capacidade do ser humano de promover mudanças internas. Para tal torna-se necessário não temer a possibilidade de ficar só, não temer o amadurecimento, aceitar a brevidade da vida e o fato de que um dia partirá deixando o mundo para as gerações seguintes. Esta tarefa é lembrada na obra do pai da psicanálise, um racionalista para o qual, onde havia Id, esse deveria ser transformado em Ego. Freud descobriu os limites da razão e com isso armou o homem para sua conquista, conquista esta que não termina nunca. Como exemplo das necessárias vigilância e perseveração há um exemplo extraído do Brás Cubas de Machado de Assis:[...] É sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma,dificilmente lhe farão despejar[...] Concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, quando a adventícia não queria entregar a casa e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão. Não senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto [...].”Para finalizar, cita-se, como um exemplo da importância de se aprender pela experiência, mesmo que no caso seja a aprendizagem a partir de uma experiência desastrosa de uma guerra fratricida.

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A ADOLESCÊNCIA E A IMAGEM CORPORAL

O início da adolescência feminina é facilmente observável, pois num curto espaço de tempo, junto com o advento da puberdade, ocorrem mudanças substanciais no corpo e na mente da, agora, adolescente.
Faz-se certa confusão entre puberdade e adolescência, pois essas duas condições ocorrem mais ou menos ao mesmo tempo na vida das jovens. A puberdade, no entanto, diz respeito aos processos biológicos, que culminam com o amadurecimento dos órgãos sexuais. A adolescência, por sua vez, compreende as alterações biológicas, mas também as psicológicas e sociais que ocorrem nessa fase do desenvolvimento.
Há certa discordância quanto a se a adolescência começa um pouco antes, durante ou logo após a puberdade, mas com certeza esta é a marca que permite calcular o seu início (Calligaris, 2000).
As mudanças corporais que ocorrem nas garotas, nessa fase do desenvolvimento, são consideráveis. Desencadeadas pela produção dos hormônios, a partir dos oito ou nove anos, promovem mudanças no tamanho do corpo, nas suas proporções, e o desenvolvimento das características sexuais primárias e secundárias. O surto de crescimento da puberdade começa um ano ou dois antes que os órgãos sexuais amadureçam, e depois disso, dura de seis meses a um ano. Nas meninas começa entre 8,5 e 11,5 anos, com um pico de rapidez que ocorre em média aos 12,5 anos, declinando depois disso até parar por volta de 15 a 16 anos. O crescimento em altura segue um padrão regular e geralmente precede o aumento de peso. Em cerca de três anos, até um ano depois da puberdade, a menina ganha, em média, 17 quilos.
Durante a puberdade a cabeça cresce lentamente em relação ao resto do corpo, a testa se torna mais alta e larga, o nariz cresce rapidamente, a boca se alarga, os lábios tornam-se mais cheios e o queixo passa a ser mais pronunciado; desenvolve-se a linha da cintura, ombros e quadris se alargam, os braços e as pernas se alongam e tornam-se mais moldados, em conseqüência dos depósitos de gordura; além disso, há o desenvolvimento dos seios, o aparecimento dos pêlos púbicos, axilares, faciais e nos membros. Também ocorrem alterações na voz e na cor e textura da pele. Mudanças também acontecem nos órgãos internos, nos sistemas digestivo, circulatório, endócrino e respiratório; os ovários e o útero crescem e amadurecem rapidamente. Acompanhando essas transformações, vem o sangramento menstrual cíclico ou menstruação (Hurlock, 1979). A menarca deve ocorrer por volta dos 12 anos, segundo Penna, Epps e Deluqui, 1970, Berenstein, 1995 e Kuczynski, 1998.
Frente a todas essas mudanças, a imagem corporal também precisa ser reformulada. A imagem corporal ou esquema corporal é a representação mental do próprio corpo, o modo como ele é percebido pelo indivíduo. Compreende não só o que é percebido pelos sentidos, mas também as idéias e sentimentos referentes ao próprio corpo, em grande parte inconscientes (Schilder, 1999).
A imagem corporal vai se desenvolvendo como um produto da relação do indivíduo consegue mesmo e com os outros. Como acrescenta Lourenção van Kolck (1984), a imagem corporal é uma unidade adquirida, é dinâmica, portanto alterações corporais provocam mudanças na imagem corporal, e esse fenômeno é particularmente intenso na adolescência.
Desde que deixa de ser um bebê o corpo do ser humano até a adolescência mantém uma identidade; essa identidade sofre uma desorganização com a emergência dos caracteres sexuais secundários. As mudanças que ocorrem nesse período levam a uma perda da antiga imagem corporal e da identidade infantis, o que implica na busca de uma nova identidade. A menina adquire, agora, um novo status e, com a chegada da menstruação, tem como tarefa psíquica que definir seu papel e identidade sexual (Aberastury, 1990).
A adolescente precisa elaborar o luto pelo corpo infantil que vai perdendo, e aceitar a chegada da menstruação, que lhe impõe uma definição sexual e de seu papel na união com o par do sexo oposto e na procriação. A angústia e os estados de despersonalização que, muitas vezes, acompanham esses momentos, devem-se, segundo Aberastury, à angústia de perceber que é o próprio corpo que produz essas mudanças.
Como diz Calligaris (2000, p 25) “entre a criança que se foi e o adulto que ainda não chegou, o espelho do adolescente é freqüentemente vazio” Com que parâmetros podem olhar para si mesmo, se não se sente mais amado pela sua aparência, como era quando criança, e ainda não é reconhecido como um par pelos adultos?
Observando-se esta questão do ponto de vista do desenvolvimento feminino, percebe-se que, além da dificuldade intrínseca de fixar uma imagem de si, mesmo que temporária, nesse corpo em transformação, a jovem, em nossa sociedade ocidental contemporânea, tem que lidar com novos desafios, trazidos pela globalização e forte influência dos meios de comunicação nos comportamentos humanos.
Como afirma Ruffino (1993), as sociedades modernas vão, cada vez mais, homogeneizando comportamentos, e cada grupo social vai perdendo seus traços culturais característicos. Assim, a chegada da menstruação, por exemplo, que freqüentemente demarcava uma passagem para um novo estágio de desenvolvimento e era tida como um acontecimento social em muitas culturas passou a ser vivida solitariamente por cada jovem.
Além da falta do apoio social para lidar com suas transformações, a jovem depara-se com os modelos de beleza e com a extrema valorização da aparência veiculada pelos meios de comunicação. É preocupante o fato de que esses modelos sejam internalizados, sem ser questionado, como algo natural do sujeito. Como afirma Kit (2001), a intensidade com que os meios de comunicação atingem as culturas é mais intensa que a capacidade de assimilação das pessoas, fazendo com que o que se vê seja incorporado sem ser simbolizado. Em nossa sociedade, há uma desconsideração da subjetividade e uma supervalorização da imagem, um culto narcísico ao corpo, que é vendido como objeto de consumo, onde, mais importante do que sentir, pensar, criar, é ter medidas perfeitas, considerando-se o padrão de magreza como ideal. Assim, a adolescente, que já tem que lidar com suas transformações físicas, é colocado frente a esses modelos e à impossibilidade de corresponder a eles.
O excesso de preocupação com a aparência e o aumento da insatisfação com o corpo, principalmente com o peso, na contemporaneidade, tem sido objeto de muitos estudos científicos. Esse interesse é motivado pelo reconhecimento do crescimento dos distúrbios alimentares em garotas adolescentes e mulheres jovens, principalmente. A preocupação com o peso é entendida como resultado da internalização de padrões irreais de beleza, e, muitas vezes, predispõe as jovens à depressão. Especialistas em distúrbios alimentares defendem que haja esforços no sentido de alterar esse padrão de beleza de extrema magreza e as atitudes sociais frente ao aumento de peso, ao mesmo tempo, que sejam feitos estudos de intervenção para melhorar a imagem corporal das garotas (Striegel-Moore, 2001). Ao se defrontarem com modelos geralmente fora dos padrões de normalidade, as jovens, que já lidam com as dificuldades intrínsecas de possuir um corpo em transformação, tendem, segundo esses estudos, a ter um autoconceito rebaixado.
Essa idéia é comprovada por uma pesquisa com 580 adolescentes coordenada pela Divisão de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas, apresentada por De Lucia (2001), no Congresso Interamericano de Psicologia da Saúde, que mostrou que 80% delas não gostam da própria aparência e 50% procuram dietas porque acham que são gordas. Uma das conclusões dessa pesquisa é que a motivação para a dieta não estava relacionada à atual forma física delas, mas à busca de um corpo ideal.
Nesse contexto de grandes mudanças corporais e forte pressão da mídia e da sociedade para a exibição de um corpo idealizado, este trabalho pretende investigar qual é a imagem corporal das garotas que estão entrando na adolescência, utilizando, para isso, entrevistas semi-dirigidas e o Teste do Desenho da Figura Humana, segundo a adaptação de Lourenção Van Kolck (1984) da obra de Machover (1967).

sábado, 18 de abril de 2009

A RAIVA







Raiva é um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego sente-se ferido ou ameaçado. A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas. Joanna de Ângelis[1] aponta o desenvolvimento moral e psicológico do indivíduo como determinante na maneira como a raiva é exteriorizada.

A raiva também pode ser um sentimento passageiro ou prolongado(rancor).

Diferentes origens

A raiva pode ter diversas origens, tais como:

A inveja:
Uma pessoa pode sentir raiva de outra pelo fato desta ter algo que aquela gostaria para si, no entanto, como não possui recursos próprios para adquirir estes objetos de desejos, e pela sua imaturidade moral, passa a sentir raiva de quem os têm.
O ego:
Uma pessoa pode sentir raiva de uma outra pelo fato desta ter afrontado ou ridicularizado o seu ego. A raiva, neste caso, é uma tentativa de proteção ao impor-se uma postura agressiva diante da afronta.

O instinto de superioridade:
Uma pessoa que no seu íntimo tem a falsa percepção de superioridade em relação aos demais, quando se vê em uma situação em que não é compreendida ou aceita como gostaria que o fosse, utiliza-se da raiva como mecanismo de evasão dos seus instintos violentos, afligindo a todos que encontram-se ao seu lado.

A família:
Pode ocorrer quando os pais não dão a devida atenção aos filhos, desinteressando-se pelos problemas que venham a afligir a prole. Inconscientemente o indivíduo começa a ressentir-se, o que ao longo dos anos pode gerar raiva acumulada.

O trânsito:
Segundo Joanna de Ângelis (2005), é bem comum acidentes automobilísticos devido a "raiva malcontida" de motoristas que não se conformam em serem ultrapassados por outros carros, e ao invés de facilitar a ultrapassagem terminam expondo o outro automóvel a perigos que podem resultar num acidente.

Conseqüências
A raiva é como uma doença que vai corroendo de dentro para fora, e que causa diversos prejuízos físicos, mentais e espirituais para o próprio enfermo e para as pessoas que a este acompanham.

Como conseqüências da raiva podemos ter:

1 - A violência verbal.
2 - A violência física.


O Ódio:
Consiste numa ênfase de raiva, que geralmente dura mais tempo e acompanha um desejo contínuo de mal a alguém.

O comportamento agressivo:
O indivíduo assume uma postura contínua de mau humor e raiva, pode ter sua origem em pequenas frustrações que no decorrer da vida se acumulam, e que não foram superadas através de diálogos compreensivos e do perdão ao próximo e a si mesmo.
O perdão consiste em desistir de qualquer ressentimento quando se é, de alguma forma, prejudicado. Por isso existe quem considera o ato de perdoar como uma possível "cura" para a Raiva.

No corpo humano a raiva gera problemas no sistema nervoso central, disfunção das glândulas de secreção endócrina, distúrbios no aparelho digestivo e desequilíbrio psicológico

Para entendermos a nós mesmos é muito importante que aprendamos a escutar a vida dentro de nós, a acolher nossos sentimentos e a vê-los como parte integrante de nosso ser. Só quando percebermos o que somos e aceitarmos esta íntima descoberta é que, paradoxalmente, daremos lugar à mudança e ao crescimento.

E tal enfoque não exclui o sentimento da raiva que é um sentimento universal. A diferença ocorre na forma que cada um de nós lida com as emoções

A raiva é um sentimento natural à frustração e é a primeira resposta a uma perda. Depois vem a depressão, a elaboração e a organização do pensamento. Alguns entram rapidamente em depressão e em processo de tortura e sofrimento, o que só piora a situação.
As explosões não acontecem por acaso.
Pessoas em situações de estresse já estão frustradas. Qualquer outro fato contrário soa como uma agressão e é fácil perder a paciência. Sendo assim, é importante que estas pessoas trabalhem a frustração e tentem redimensionar as perdas, aceitando-as como inerentes ao processo da existência. O ideal é lembrar que tudo tem dois lados, tentando entender o que aquela perda significa e o que se pode aprender com a experiência.

Normalmente, o ataque de raiva começa com uma irritação diante de alguma situação desagradável. O coração acelera, as mãos começam a suar, os músculos ficam tensos e aí vem a explosão. Se isso acontecer com muita freqüência, a pessoa pode desenvolver problemas de saúde.

No corpo, um dos primeiros sinais é a dificuldade respiratória. Quando a pessoa não respira adequadamente, não oxigena as células cerebrais, o que estimula a tomada de decisões erradas.

A pressão arterial sobe e a pessoa pode ter problemas estomacais, como gastrite e até mesmo úlcera.

Sob um enfoque psicológico, a raiva comumente gera ataques de pânico, crises de ansiedade, depressão, desânimo e mágoa. É comum que o sentimento de raiva e suas manifestações tenham sido desencadeados, quando a pessoa se sente injustiçada, menosprezados e desrespeitados.

A raiva está no nosso dia-a-dia.
O importante é saber conviver com ela, "dando-lhe voz" para que expresse o que não queremos aceitar, o que não aceitamos perder e se estamos onde e com quem realmente desejamos estar. De nada resolverá sufocá-la, negá-la, aprisioná-la tal qual uma fera enjaulada, pois, mais cedo ou mais tarde, ela surgirá de uma forma desajeitada e prejudicial para nós mesmos e para o outro.

Raiva em excesso mata?

Sentimentos de raiva podem tornar vulneráveis os problemas cardíacos em até 10 vezes mais propensos a necessidade de tratamento para corrigir os seus batimentos cardíacos. A investigação resulta de estudos anteriores que demonstraram que terremotos, guerras contra o terror ou mesmo a perda de uma Copa Libertadores da América pode aumentar as taxas de morte por parada cardíaca súbita, em que o coração pára de bombear sangue. “É definitivamente foi demonstrado em todas as diferentes formas que, quando você colocar uma população inteira em um estressor que a morte súbita aumentará”, disse o Dr. Rachel Lampert da Yale University, em New Haven, Connecticut, cujo estudo aparece no jornal do American College de Cardiologia”. “ Nosso estudo começa a analisar como é que isto realmente afetar o sistema elétrico do coração.”

O humor realmente afeta muito o organismo das pessoas e os batimentos cardíacos mudam muito. Dr. Lampert e seus colegas da área da saúde estudaram 62 pacientes com doença cardíaca e coração desfibriladores implantáveis ou de dispositivos que permitem detectar ritmos ou arritmias cardíacas perigosas e emite um choque elétrico para restabelecer um batimento cardíaco normal. Os pacientes participaram de um exercício em que reconstituíram um episódio recente zangado enquanto Lampert da equipe realizada para medir a instabilidade elétrica do coração. Dependendo de como as mensagens são recebidas as pessoas ficam muito alteradas podendo passar muito mal.
Segundo Dr. Lampert “A raiva causa impacto realmente no coração e no sistema elétrico tão específico que podem levar à morte súbita.” Ela salientou que os resultados não implicam com os normais, corações saudáveis eram necessariamente em maior risco de uma parada cardíaca resultante de raiva.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Propósito de vida:







Não estamos aqui apenas a passeio, é importante lembrar quem somos e quais impactos causamos no universo.
Quais são as nossas crenças de vida, através delas é que tomamos atitudes.
Nossos objetivos nos inspiram a agir e a tornar nossos sonhos uma realidade e criar um significado de vida.
Ser polêmico pode nos apimentar e trazer esse diferencial que nos torna únicos, entretanto os riscos necessitam ser planejados.
Saber falar, mas saber calar.
A introspecção não é sinônimo de tristeza, muitas vezes um determinante para desenvolvermos autocontrole e reavaliarmos nossas metas para planejarmos nosso futuro, não perder tempo com o que não queremos, para que?
Procurar as respostas dentro de nós, no que desejamos e prestar atenção no que isso poderá interferir positivamente para a nossa vida.
Se uma meta é desafiante? Mãos a obra, defina seu plano de ação e tenha opções, se uma opção é limitada, duas criam um dilema e três nos permitem escolhas.
Os desafios são atraentes e permitir que nossos grandes paralisadores como o medo, muitas vezes crenças limitantes e tempo, não podem ser nosso inimigo, nos faça retroceder.
Viver é correr riscos diariamente. Portanto corra todos os riscos e VIVA...
Ser apaixonado pelo o que faz é um dos maiores passos e uma conquista para construirmos nosso destino.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

RELIGIOSIDADE OU TRANSTORNO PSIQUIATRICO?






A mente humana e os transtornos Histriônicos(histéricos).

O transtorno histriônico (F60.4), antigamente denominado histeria, tem por características o seguinte: Afetividade superficial e lábil, dramatização, teatralidade, expressão exagerada das emoções, sugestibilidade, egocentrismo, autocomplacência, falta de consideração para com o outro, desejo permanente de ser apreciado e de constituir-se no objeto de menção, tendência a se sentir facilmente ferido. Este foi o primeiro transtorno objeto de estudo feito por Freud - a histeria. A histeria, embora em escala menor, por força da diminuição da castração formal e do controle social e moral menos radical, continua presente na sociedade de modo atualizado, mais intenso.
O histriônico ou histérico é capaz de configurar um conjunto de sintomas capazes de parecer psicogênico(psiquiátrico) ou religioso(invasão de entidades ou espiritualidade positiva). No primeiro caso, qualquer médico, psicanalista ou psicólogo diagnosticará com facilidade. No caso dos cléricos, nem tão fácil será.
Se por um lado, o transtorno histriônico não será confundido pelos profissionais de saúde com as psicoses, contudo será objeto de equívoco por parte de muitos dentre os que dão tratamento religioso, independente do tipo, se cristã católica, protestante ou espírita. Confundirão com manifestações espirituais e promoverão exorcismo ou orientarão trabalho para "desenvolver". Nesse caso, os tais carecem de conhecimento específico para o diagnóstico, para orientação de tratamento, que no caso, cabe à Psicanálise, e não à Psiquiatria, como parece.

A ignorância crédula X conhecimento incrédulo.

O subtítulo que passo a considerar é terrível. Na verdade as duas coisas são deploráveis. Não se trata de manejo de palavras e sim de fatos. Fatos que todos podemos constatar, tanto nos meios religiosos, que espiritualizam tudo, que procuram explicações no metafísico para tudo, quanto nos meios acadêmicos, que por força do "cientificismo" releva tudo que não pode ser controlado ou explicado cientificamente, ainda, como inexistente. São os extremos que dão no mesmo.
No primeiro domínio, a ignorância crédula, corresponde ao exercício da fé sem fundamentação, sem base, sem verdade, que abomina a necessidade de comprovação, que considera o mundo apenas pela ótica do sobre-natural. Aliás, é bom que se esclareça - o sobre-natural é tão somente o natural que ainda não conhecemos. Tudo que existe, ocorre, funciona, terá que ter uma explicação lógica e natural... em algum momento da história a teremos. Pois bem, as religiões, principalmente as facções contemporâneas, produto de uma sociedade decadente, necessitada, quase miserável, as que fazem da sua bandeira o atender e cuidar dos pobres e necessitados, optam pela área, sem o saber, quantas vezes das patologias mentais, pois são as que mais se confundem com o espiritual. É muita fé e pouco ou nenhum conhecimento. É a ignorância crédula. Tanto fazem parte desse contigente pessoas social e intelectualmente limitadas, quanto os seus líderes são produzidos, tendo como condição primaz o ser limitados, desinformados, etc., sem falar nos desprovidos de caráter.
Quanto ao segundo polo, o conhecimento incrédulo, é igualmente problemático. São os intelectuais da saúde mental que não crêem em nada. São igualmente grandes problemas, pois os extremos estão sempre equivocados. A ciência nunca será o bastante. Até para aceitar a ciência é necessário fé. Igualmente há, nas coisas espirituais, componentes científicos singulares.
Qual é o problema? O problema está no fato de que um lado desdenha o outro. Um menospreza o domínio do outro. O que certamente cooperaria para o bem estar do povo seria um trabalho articulado, onde tanto a saúde quanto a religião abrissem mão dos seus dogmas e dessem as mãos. Não teríamos transtornados mentais tratados como tendo problemas espirituais, nem estes últimos como sendo doentes mentais Todos ganharíamos, com certeza.

As religiões como potencializadoras ou desencadeadoras dos transtornos mentais psiquiátricos.
E pela responsabilidade cientifica que nos é dada como profissionais da saúde mental, não podemos permitir que haja interferencia das religiões nos casos extremos e diagnosticados como transtornos mentais, para beneficiarmos nossos pacientes, trabalhar com os mesmos com a realidade, haja vista que muitos de nós vivemos a experiencia de trabalhar em hospitais psiquiatricos e boa parte dos pacientes ali tratados foram abandonados por suas familias e igrejas.

Não é verdade que todos os cientistas não tenham crença, outrossim lembro que muitos são realmente agnósticos, o que significa crer em algo, entretanto esse algo pode ser no proprio ser humano, ou em algo superior a nós.

Muitos desses doentes mentais submetidos a processos religiosos, sugestionados, pressionados, forçados a um sistema, terão o agravamento do quadro.

Outrossim, o que dizermos das pessoas que têm problemas espirituais e são tratadas como doentes mentais?De igual modo, a conduta médica tornará "crônica" a questão espiritual que poderia ser resolvida com critério, respeito, pelos procedimentos religiosos. De qualquer maneira, sempre haverá um prejudicado quando não se conduz a pessoa para o suporte certo e um prejudicador, pela ignorância ou pelas "boas intenções" mal fundamentadas.

Somos tão inconsequentes como à 2009 anos, impomos as nossas crenças, morremos por elas.
O oriente médio continua sendo destruido todos os dias pelos judeus e muçulmanos. Hitler matou milhões de judeus, os Judeus cruscificaram Jesus Cristo. Os evangélicos, católicos, tão cheio de preconceitos.
E tudo isso definitivamente não está escrito no alcorão, no torá, nem no antigo e novo testamento.


Bibliografia:


http://prfernandopaula.blogspot.com/2005/04/transtorno-psiquiatrico-na-religio.html

quarta-feira, 8 de abril de 2009

CO-DEPENDENCIA



RESENHA

As pessoas que convivem com dependentes de drogas ou álcool são, em geral, as mais suscetíveis a sofrer crises de estresse e distúrbios nervosos na luta diária para livrar amigos e parentes da dependência química.
Co-dependência nunca mais vai ajudá-lo a perceber a sua mais importante e, possivelmente, mais neglicenciada responsabilidade: cuidar de si. Admitir que não é o culpado pelo vício de amigos e parentes é o primeiro passo para entender os seus problemas e angústias, trocando a ansiedade por uma vida equilibrada. O livro apresenta dezenas de casos reais, reflexões pessoais, exercícios e testes. Escrito por Melody Beattie, uma ex-viciada que conviveu com co-dependentes, o livro é um sucesso nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países.

O movimento que o co-dependente faz, é ainda pior que do próprio dependente (este está doente).
O co-dependente alimenta a dependência do outro em beneficio próprio.
Ele facilita. Toma as decisões. Pode ser omisso ou ao contrário, não deixa faltar nada.
A co-dependência se inicia quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta
controlar seu comportamento na esperança de ajudá-lo. Como conseqüência dessa busca mal sucedida de controle das atitudes do próximo, a pessoa acaba perdendo o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.





Em outras palavras, se ao nos dedicarmos aos outros estivermos nos abandonando, mais à frente teremos de nos confrontar com as conseqüências de nossa atitude ignorante.
Reconhecer nossos limites e necessidades é tão saudável quanto a motivação de querer superá-los.

Sentir a dor do outro não quer dizer ter que repará-la. Este é nosso grande desafio: sentir a dor com o intuito simplesmente de nos aproximarmos dela, em vez de querer transformá-la de modo imediato.

É preciso deixar claro que ter empatia não tem nada a ver com a necessidade compulsiva de realizar os desejos alheios, própria dos relacionamentos co-dependentes.

O paradoxo do relacionamento é que ele nos obriga a sermos nós mesmos, expressando sem hesitação e assumindo uma posição. Ao mesmo tempo, exige que abandonemos todas as posições fixas, bem como nosso apego a elas. O desapego em um relacionamento não significa que não tenhamos necessidades ou que não prestemos atenção a elas. Se ignoramos ou negamos nossas necessidades, cortamos uma parte importante de nós mesmos e teremos menos a oferecer ao parceiro. O desapego em seu melhor sentido significa não se identificar com as carências nem com as preferências e aversões. Reconhecemos sua existência, mas permanecemos em contato com nosso eu maior, onde as necessidades não nos dominam. A partir desta perspectiva, podemos escolher afirmar nosso desejo ou abandoná-lo, de acordo com as necessidades do momento.

A empatia começa com a capacidade de estarmos bem conosco mesmos, de reconhecermos o que não gostamos em nós e admirarmos nossas qualidades. Quanto melhor tivermos sido compreendidos em nossas necessidades e sentimentos quando éramos crianças, melhor saberemos reconhecê-las quando adultos.

Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia. Como alguém que desconhece suas próprias necessidades poderá entender as necessidades alheias?

Se você quiser ler mais sobre a co-dependência, leia o livro: Co-dependência nunca mais de Melody Beattie (Ed. Record). Abaixo, seguem alguns itens que, segundo a autora, os co-dependentes adoram fazer:

- Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
- Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
- Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
- Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
- Comprometer-se demais.
- Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
- Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
- Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
- Sentir raiva, sentir-se vítima, achar que está sendo usado e que não senta sendo apreciado.
- Achar que não é bom o bastante.
- Contentar-se apenas em ser necessário a outros.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

REALITY SHOW

Como podemos mensurar o sofrimento, as dores e os sentimentos de alguém, pela conta bancária?
Então a felicidade existe só entre pessoas que tiveram oportunidades... “dinheiro”.
Ter dinheiro pode trazer possibilidades financeiras, como conforto, uma educação de qualidade, roupas de marca, como comprar um perfume importado de 30 ml sem usar o cartão de crédito, por exemplo, no caso do Angel da Thierry Mugler, o perfume usado pela Priscila, ou o LIGHT BLUE da Ex sister Josi. Ter a possibilidade de concluir um curso universitário sem muitos esforços. Quantos nessa terra conseguem! Sei que poucos.
Ser empático entre outras coisas é usar a aprendizagem que a vida nos oferece para compreender a dor do outro, a sagacidade para jogar limpo, já que isso envolve muito dinheiro.
Mas dizer que vale tudo! Não, não vale tudo.
Mas é essa realidade muitos vivem aqui fora. Percebo que algumas pessoas que não tiveram maiores possibilidades financeiras acreditam mesmo que dinheiro trará tudo.
Que nesse vale tudo da vida ou de um jogo, algumas pessoas só se aproximam com o objetivo de destruir, colhendo informações, e distorcendo as mesmas para tirarem proveito. Aquele jeitinho brasileiro de querer levar vantagem em tudo veja o exemplo dos políticos, essas pessoas são geralmente agradáveis, simpáticas e demonstram sua confiabilidade, são muitas vezes generosas. Dizem sem medo o que querem. Nem sempre o mais esperto é o mais inteligente, e acredito que a Priscila esteja no rol dos espertos. A tal inteligência intuitiva, que encontramos todos os dias, com seus trajes alinhados, crescendo, mas usando como escada a cabeça dos colegas.
A Ana esteve chorona, chata, e ao mesmo tempo engraçada, mas ingênua e foi essa ingenuidade que a derrubou, ninguém com origens mais sólidas consegue superar quem vem do mundo com experiências dolorosas, porque a maioria das pessoas acaba se identificando muito mais com as perdas, existe preconceito, e loirinha de olhos azuis, a advogada bem criada não ganharia mesmo e a mídia é fabulosa, porque manipula a informação que quiser, vende o produto que der ibope.
Quanto a quebrar tabus... A globo é mestre nisso.
Vocês agem como se esse dinheiro resolvesse todos os problemas existentes na vida, o que fica claro que vocês usam a razão em detrimento da emoção... No entanto quanto engano. Sinto a sensação de alguém que faz dieta para ter conquistas amorosas e percebe que de nada adiantou a dieta se não existe o ingrediente principal que é arte da conquista. Fez plástica para ficar mais bela, mas a beleza está muito mais implícita que explicita.
O relacionamento MAX E FRAN, na minha opinião que torço pela vitória da Fran desde o começo, nada mais é que um acordo de cavalheiros.
O Max eu não consigo definir, conseguiu de verdade não mostrar sentimentos. Priscila apela em todos os aspectos, penso nessa moça como alguém extremamente materialista e já mostrou que faz qualquer coisa por dinheiro, aliás, ela disse isso no carro com o Max.
Que pena ter a compreensão que pessoas assim sejam vencedoras sempre, em todas as áreas profissionais e na vida.
Realmente ela é uma vencedora, usa todas as armas que tem um apelo cheio de contradições. Sinto-me vendo uma propaganda política dessas bem enganosas. Ela é realmente inteligente e sagaz, aprendeu muito pouco acerca da dor humana. Que pena! Apesar de tudo que viveu.
Essas mensagens com apelo sexual da Priscila que aprendeu bem criança como tantas outras, assistindo TV se tornaram a realidade do jovem no contexto atual. Que pena que o entretenimento se tornou tão fútil, e pouca criatividade.
Aqui não retrato nada com moralismo, mas concordo que esse 1 milhão é o ouro de tolo, que apesar das provas pesadas que os participantes foram submetidos durante o período de confinamento não justificam os meios que utilizaram para chegar nessa final.
Comportamentos que serão certamente imitados pelos jovens desse pais de 3° mundo que ainda é considerado com tal, pelas taxas alarmantes de analfabetismo, e mortalidade infantil. Uma enorme massa de manobra conduzida pelas emissoras de televisão.
PARABÉNS, porque é essa a realidade exposta todos os dias ao povo brasileiro.

Sônia